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Siderurgia pede proteção contra sobrecapacidade de aço e exportações da China

Unesid alerta sobre sobrecapacidade mundial de aço e exportações chinesas; pede proteção comercial europeia mais ampla e aplicação da CBAM

Bernardo Velázquez y Carola Hermoso, presidente y directora general de Unesid.
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  • A siderurgia espanhola vive um momento decisivo, com produção em torno de 12 milhões de toneladas em 2025, enquanto as importações ultrapassaram 10 milhões.
  • A sobrecapacidade global de aço é estimada em 640 milhões de toneladas, agravada pelas exportações maciças da China.
  • A Unesid pediu uma resposta firme da União Europeia, com proteção uniforme ao longo de toda a cadeia de valor e aplicação do mecanismo de Ajuste em Fronteira por Carbono (Cbam) a partir de julho.
  • A indústria espanhola enfrenta custos energéticos elevados, com medidas de redução de impostos sobre energia em debate para 2026.
  • No conjunto do ano, a produção nacional ficou em 11,8 milhões de toneladas (-0,4%), as exportações somaram 8 milhões de toneladas e as importações chegaram a 10,4 milhões.

La siderurgia espanhola enfrenta o momento mais delicado de sua história, segundo a Unesid. A associação que reúne as siderúrgias do país aponta para problemas de competitividade na UE e para uma sobrecapacidade global estimada em 640 milhões de toneladas. A razão central é o excesso de produção mundial de aço e as exportações maciças da China, cuja demanda interna não acompanha o ritmo das usinas chinesas.

Durante a última assembleia da Unesid, o presidente Bernardo Velázquez e a diretora-geral Carola Hermoso destacaram a necessidade de uma resposta firme da União Europeia para preservar um setor estratégico. Eles defendem proteção coordenada para evitar prejuízos à autonomia energética e tecnológica europeia.

Em termos nacionais, a energia é um problema relevante para a rentabilidade das siderúrgias, altamente intensivas em energia. A agenda de apoio inclui manter medidas de alívio fiscal para a eletricidade, que devem vencer no fim de junho, e solicitam prorrogação dessas medidas.

Entre as propostas, a Unesid cobra uma reforma ampla de instrumentos de defesa comercial da UE para assegurar competição justa entre siderúrgias europeias e de outras regiões. Também pedem ampliação dessa proteção para toda a cadeia de valor, não apenas o aço.

A organização ressalta a importância de incluir o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), que entrará em vigor em julho para tributar produtores não conformes ambientalmente. Ainda assim, pedem reforço dos mecanismos de controle para evitar elusão de regras.

Ou seja, evitar que práticas de manipulão de origem do produto contornem as cláusulas da cadeia de suprimentos, especialmente em importações que passam por países com regimes comerciais especiais com a UE, como o Marrocos.

Entre as medidas futuras, a Unesid defende uma política industrial mais ambiciosa para estimular a demanda por aço produzido na Europa, com critérios de compra pública voltados a setores estratégicos como energia, mobilidade, infraestrutura e defesa.

No cenário recente, as siderúrgias espanholas mantiveram a produção em torno de 11,8 milhões de toneladas no último ano, uma queda de cerca de 0,4%. O consumo aparente caiu 0,5%, para aproximadamente 13,4 milhões de toneladas.

As exportações espanholas totalizaram 8 milhões de toneladas, com Europa como principal destino, registrando alta de 6,6%. Já as vendas para terceiros países caíram 5,1%. As importações somaram 10,4 milhões de toneladas, com metade vindo de fora da UE, especialmente da China e, em menor escala, da Ucrânia.

No início deste ano, a produção de aço no país caiu mais de 21% no trimestre, enquanto as entregas totais recuaram quase 10%. As importações não comunitárias cresceram 2,3%. O setor de construção manteve o consumo estável, com queda muito restrita.

A presença de barreiras protecionistas, como os 50% de tarifas dos EUA sobre aço, também impacta o cenário. Empresas nacionais sofreram consequências, com impactos em segmentos industriais e na cadeia de fornecimento.

A siderurgia envolve cerca de 21.720 empregos diretos na Espanha, com estimativa de 60.000 empregos indiretos. O setor gera aproximadamente 15 bilhões de euros em negócios anuais, segundo dados da indústria.

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