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A Hora dos Grandes no Mercado da Cannabis

Com a regulação da Anvisa, grandes farmacêuticas expandem atuação na cannabis medicinal, com mercado próximo de R$ 1 bilhão e projeção de cerca de 12% ao ano

Detalhe de medicamento a base de canabidiol
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  • Novas regras da Anvisa para cannabis medicinal entraram em vigor em 4 de maio, abrindo espaço para expansão das grandes farmacêuticas no Brasil, num mercado que pode chegar a quase R$ 1 bilhão.
  • A mudança reclassifica a cannabis de tarja preta para tarja vermelha em 98% das fórmulas e amplia o acesso para doenças debilitantes, estimulando prescrição médica e uso pelos pacientes.
  • Em 2025, mais de 870 mil brasileiros usaram produtos à base de cannabis, volume 30% maior que em 2024, segundo o Anuário da Cannabis Medicinal da Kaya Mind.
  • Empresas como Eurofarma, Aché, Hypera, Biolab, Teuto e União Química já atuam no setor, negociando expansão com laboratórios nativos e explorando parcerias e importações.
  • O setor aposta em produção nacional de insumo farmacêutico ativo (IFA) e em investimentos em pesquisa, com previsões de crescimento anual próximo de 12% e atuação ampliada até 2030.

O Ministério da Saúde, por meio da Anvisa, regulatory mudou a cannabis medicinal registrando nova classificação e regras. Em 4 de maio, entraram em vigor medidas que reclassificam a cannabis de tarja preta para tarja vermelha na maioria das fórmulas e ampliam o acesso a pacientes com doenças debilitantes. O objetivo é ampliar prescrição médica e uso seguro, com base em evidências clínicas.

Mesmo antes da mudança, o mercado já mostrava força. Dados de 2025 indicam mais de 870 mil brasileiros usando produtos à base de cannabis, 30% acima de 2024. Hoje, cerca de 50 produtos já são autorizados pela Anvisa e movimentaram R$ 300 milhões nas farmácias. O conjunto, incluindo importação e associações de pacientes, aproxima-se de R$ 1 bilhão.

Para o setor, a norma é vista como ponto de virada: abre espaço para produção nacional de insumo farmacêutico ativo (IFA) e tende a reduzir preços. O presidente do Sindusfarma aponta crescimento estimado em torno de 12% ao ano e sinaliza que grandes parcerias aguardam o endurecimento regulatório para avançar.

Grandes laboratórios no radar

Quase todas as cinco maiores farmacêuticas brasileiras já operam com cannabis ou estudam ampliar portfólio. Eurofarma, Aché, Hypera, Biolab, Teuto e União Química estão entre as primeiras a avançar, com parcerias com produtores nativos desde 2022 e expansão prevista.

A União Química atua pela via de importação via unidade Genom, com produtos da Nunature dos EUA. A empresa planeja ampliar o portfólio com tratamentos para ansiedade, autismo e dor neuropática, mantendo investimento alto em pesquisa e formação médica.

Empresas estrangeiras monitoram o mercado desde 2019. Alto potencial envolve possível entrada de parceira internacional, segundo executivos da VerdeMed, que já negocia ligações com a Eurofarma e avalia oportunidades com outras farmacêuticas globais.

Estrutura de oferta e estratégias

Biolab projeta ampliar para mais de dois produtos de cannabis em dois anos, buscando variedade terapêutica. Já a Ease Labs, nativa, mantém negociações com Aché e Furp, além de parcerias com outras big farmacêuticas, para ampliar o alcance.

Alguns players preferem manter planos sigilosos, mas avançam em cooperações com empresas menores. A Abiquifi ressalta que alianças com grandes laboratoriais são cruciais para scale up e distribuição nacional.

A Endogen firmou acordo com Cellera Farma para dois produtos, ampliando a promoção médica. A empresa destaca mudanças regulatórias, como a tarja vermelha para formulações com baixo THC, como impulso para prescrição e mercado.

Panorama de produção e exportação

A Farma USA, uma das poucas nativas com IFA de CBD, atua sem fusão com grandes grupos. A empresa já exporta para outros países e recebeu cota de 1 tonelada de IFA para farmácias de manipulação no Brasil, com atendimento rápido em território nacional.

Novos players, como Alko do Brasil, devem entrar no setor ainda em 2026, focando em envase, formulação e nacionalização gradual. O grupo projeta cinco a seis produtos até 2030, com planejamento de investimento adicional de cerca de R$ 40 milhões.

Para o futuro, especialistas destacam a necessidade de cultivar genéticas próprias no Brasil e considerar a verticalização de produção. O clima tropical é visto como vantagem para criar canabinoides específicos e abrir caminho para exportação.

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