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Banco aumenta prazo de dívida de maior risco para até 10 anos

Bancos estendem até dez anos a duração dos cocos (AT1) para manter custo de capital baixo, capitalizando demanda alta e cupons entre cinco e oito por cento

Imagen de la Bolsa de Madrid.
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  • Os cocos (contingentes convertibles) são emitidos como capital adicional de primeira linha, com custo médio de trezentos pontos básicos e durações que chegam a até dez anos.
  • Santander, BBVA e Unicaja aproveitaram o momento de demanda para ampliar a duração das emissões, buscando manter custos baixos por mais tempo.
  • Cupons variam de cerca de cinco comicket até sete por cento em euros, e chegam a oito por cento em dólares; as emissões seguem atraentes frente à dívida soberana.
  • A emissão total de cocos europeus neste ano já soma vinte e dois mil milhões de euros, com cenário de liquidez alta e investidores ávidos por cupons elevados.
  • Riscos incluem queda de preço caso subam as taxas e a incerteza sobre se as calls serão exercidas no futuro; especialistas alertam para menor qualidade relativa em novas emissões.

Os bônus contingentes convertíveis (cocos) atingiram a preferência mais alta entre os emissores de dívida de bancos, com a duração de emissão aumentando para até 10 anos. O custo de emissão, expresso pelo diferencial sobre referência livre de risco, gira em torno de 300 pontos básicos, próximo de mínimos históricos.

Entre as entidades espanholas, Santander, BBVA e Unicaja lideraram as colocações recentes, aproveitando o ambiente de liquidez elevada e demanda robusta por cupons altos. As condições de mercado permitem ampliar o prazo das opções de compra (call) para além dos cinco anos, buscando maior proteção de capital.

O impulso vem de um ciclo de fortes resultados e balanços saudáveis no setor. A procura dos investidores por ativos de renda fixa com cupom atrativo tem sustentado as emissões de AT1 em euros e dólares, com volumes globais de cerca de 22 bilhões de euros em 2026, segundo dados de Société Générale.

O que são cocos e por que ampliam a duração

A estrutura dos cocos permite aos bancos cumprir parte dos requisitos de capital adicional sem emitir ações novas. Em condições atuais, emissão em cocos com call a dez anos já é comum, reduzindo o risco de refinanciamento em cenários de volatilidade.

Especialistas destacam que, embora os diferenciais estejam em patamar baixo, as rentabilidades permanecem competitivas: cupons entre 5,5% e pouco acima de 7% para euros, até cerca de 8% para dólares. Comparativamente, uma obrigação soberana de 10 anos paga menos a mais em cenários de crise.

Analistas avaliam que bancos europeus aproveitam o custo baixo para alongar prazos de amortização. Contudo, especialistas alertam para riscos de mercado: o valor dos cocos tende a recuar se as taxas de juros subirem, e a prática de exercitar calls não é garantida.

Outros apontam que a explicação para a atratividade reside na liquidez elevada e na percepção de solvência sólida no setor bancário espanhol, que sustenta essa tendência de alongamento das durações. Em meio a incertezas macro, as emissões com calls cada vez mais distantes representam uma estratégia de refinanciamento.

A visão de gestores indica que o ambiente favorece novas emissões com custos baixos, mas há cautela quanto à qualidade do papel. Com ciclos de alta de juros esperados, alguns especialistas recomendam avaliação cuidadosa do timing e da estrutura de amortização antes de investir.

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