- Em 2026, mulheres representam 35,4% da força de trabalho no mercado de capitais brasileiro, mas sua participação em cargos de alta gestão ainda é baixa.
- No painel da Pagos no fim de maio, executivas destacaram obstáculos e perspectivas para ampliar a liderança feminina no setor.
- No Banco BS2, cerca de 30% das posições de liderança são ocupadas por mulheres, segundo a diretora-executiva Juliana Pentagna Guimarães; ainda há espaço para crescimento.
- Estudos citados apontam que empresas com maior participação feminina em cargos estratégicos apresentam eficiência de investimentos, em média, cerca de 11% superior.
- Desafios persistem, como assédio, diferença salarial e sub-representação em gestão de fundos; especialistas defendem políticas internas, mentorias e cultura mais inclusiva para promover o crescimento sustentável.
O painel da Pagos, realizado no fim de maio, reuniu executivas do setor financeiro para debater diversidade e inovação feminina no mercado de pagamentos. O encontro contou com Juliana Pentagna Guimarães, diretora-executiva do Banco BS2, Carol Corvalán, diretora de vendas da PagBank, e Linconl Rocha, presidente da Pagos. O objetivo foi esclarecer obstáculos e apontar caminhos para a presença feminina em cargos de liderança.
Dados recentes indicam avanço, mas persistem barreiras. Em 2026, mulheres já representam 35,4% da força de trabalho no mercado de capitais brasileiro, porém sua participação em posições de alta gestão permanece limitada. A reportagem destaca ainda que o desafio não é apenas abrir espaço, mas fortalecer políticas internas e ambientes que incentivem o crescimento profissional.
Mudanças na cultura corporativa
Juliana Guimarães aponta que cerca de 30% das lideranças do BS2 são ocupadas por mulheres, um avanço relevante que deve caminhar para equilíbrio maior. A executiva enfatiza que a diversidade de visões na gestão favorece debates e soluções inovadoras. Carol Corvalán reforça que competência e preparo são diferenciais, mas que a cultura organizacional ainda enfrenta resistência machista, com desafios para conciliar trabalho e maternidade.
Linconl Rocha, presidente da Pagos, complementa ao afirmar que ampliar o protagonismo feminino não é apenas uma agenda feminina, mas uma estratégia para tornar produtos e serviços mais eficazes. A presença feminina é associada a maior sensibilidade e olhar cuidadoso, o que impacta positivamente a cultura organizacional.
Desempenho financeiro e implicações
Estudos internacionais citados no painel indicam que empresas com maior participação de mulheres em cargos de liderança apresentam maior eficiência de investimentos, com redução de decisões de sobreinvestimento. Ainda conforme o debate, a participação feminina no mercado financeiro brasileiro cresce, mas permanece baixa em cargos de gestão de fundos, com representação de apenas 4,75% entre gestores ativos.
A reportagem do G1 em 2025 aponta que, apesar do aumento, mulheres ainda constituem parcela reduzida do quadro total das instituições financeiras, enfrentando salários menores e assédio em alguns casos. Esses dados reforçam a necessidade de políticas internas que promovam mentoria e remoção de vieses.
Caminhos para o futuro
Juliana defende a criação de ambientes que favoreçam o crescimento e a permanência de profissionais mulheres, com políticas internas fortes e programas de mentoria. Corvalán destaca que a evolução tecnológica, regulatória e de experiência do cliente exige visão ampla e diversidade para manter a competitividade no setor.
Rocha observa que a transformação é contínua e que o protagonismo feminino deve permanecer como prioridade para tornar o mercado financeiro brasileiro mais plural, inclusivo e eficiente. O painel concluiu que a liderança feminina tende a se consolidar como imperativo estratégico, não apenas como bandeira social.
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