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Consumidores arcam com R$ 7 bi por furtos e fraudes de energia

Aneel aponta perdas não técnicas elevando tarifas; Amazonas e Rio de Janeiro lideram furtos, repassando custos aos consumidores

A gerente de regulação econômica da Aneel, Flávia Pederneiras, explicou à comissão como é feito o rateio dos prejuízos para as tarifas de energia
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  • Consumidores pagaram mais de R$ 7 bilhões por perdas não técnicas de energia em 2024 e 2025, com o dinheiro sendo rateado nas tarifas.
  • Em 2024, as perdas chegaram a 40 TWh, gerando um custo de R$ 10,3 bilhões; R$ 7,1 bilhões ficaram nos encargos às tarifas, R$ 3,3 bilhões às distribuidoras e R$ 1 bilhão ao poder público.
  • O rateio é feito com base em ranking de 51 distribuidoras; regiões Norte (19,5%) e Sudeste (6,6%) têm mais furto, e Amazonas e Rio de Janeiro lideram as perdas.
  • A título de exemplo, a tarifa da Amazonas Energia poderia ser 13% menor sem furtos; a da Light poderia ser 9,1% menor.
  • Em 2025 houve 25.000 ocorrências de furtos de cabos, com prejuízo de R$ 97 milhões; lei de 2025 amplia penas, e há discussão sobre tarifas inteligentes e reformulação de metas.

Aneel informou à Câmara dos Deputados que as perdas não técnicas do setor elétrico resultaram em mais de R$ 7 bilhões pagos pelos consumidores em 2024 e 2025. O valor envolve furtos de energia, ligações clandestinas e desvio de medidores, bem como fraudes associadas à adulteração de equipamentos. A Abradee aponta prejuízos totais de R$ 11,3 bilhões em 2025, com R$ 7,8 bilhões repassados às tarifas.

Em 2024, as perdas somaram 40 TWh, equivalentes a 6,6% de toda a energia recebida pelo país. O custo total atingiu R$ 10,3 bilhões, distribuídos entre consumidores (R$ 7,1 bilhões), distribuidoras (R$ 3,3 bilhões) e poder público (R$ 1 bilhão, em tributos não recolhidos). Os números ajudam a explicar o impacto das perdas na tarifa final.

Rateio de prejuízos

A gerente de Regulação Econômica da Aneel, Flávia Pederneiras, explicou o método de rateio: não há repasse automático de todo furto. O ranking de 51 distribuidoras determina quanto do prejuízo técnico é repassado à tarifa, com maior peso para áreas mais complexas. Regiões Norte (19,5%) e Sudeste (6,6%) concentram maior incidência.

Em relatório, Amazonas Energia e Light lideram as perdas não técnicas, impondo sobrecarga tarifária aos clientes locais. Flávia citou que a tarifa no Amazonas poderia ser 13% menor sem o furto e que a Light poderia ter redução de 9,1% sem esses custos. A Abradee aponta ainda aumento de furtos de cabos, com 25 mil ocorrências em 2025 e prejuízo de quase R$ 97 milhões.

Desafios estruturais e impactos

O tema aparece nas avaliações do Tribunal de Contas da União, que aponta fatores como geografia complexa, expansão desordenada da rede e dificuldade de operação em bairros de alto índice de furtos e inadimplência. Profissionais ligados ao setor descrevem um efeito em espiral: perdas reduzem a base de faturamento, elevam tarifas e incentivam novos furtos.

A presidente do Conacen reforçou a necessidade de reformular a metodologia de rateio, para reduzir o peso das perdas sobre consumidores de menor renda. Entre as propostas discutidas, estão metas de perdas ajustadas para concessões com operações restritas e a adoção de tarifas diferenciadas conforme a localização do imóvel.

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