- O juro real brasileiro está alto em relação ao histórico, com IPCA + sete por cento ao ano até oito por cento ao ano em títulos públicos, segundo comparação com os EUA.
- Hoje, títulos brasileiros de dez anos atrelados ao IPCA remuneram 7,9 por cento ao ano, frente a 2,2 por cento ao ano nos EUA mais o CPI.
- A diferença entre Brasil e Estados Unidos é de 5,7 pontos percentuais, próxima da média histórica de cinco pontos percentuais nas últimas duas décadas.
- O juro real americano projetado para os próximos dez anos (curvas de juros) é de 3,2 por cento ao ano, o que sugere potencial de até 8,6 por cento ao ano para o Brasil, se a diferença se mantiver.
- O texto ressalta que não se deve avaliar apenas o histórico recente; mudanças globais pós-pandemia elevaram juros reais em várias economias devido à maior dívida pública.
O juro real brasileiro está alto? Um gráfico de vinte anos mostra que o prêmio pago para investir no Brasil fica perto da média histórica, quando visto ao longo do tempo.
Ao comparar Brasil e EUA, o IPCA+ 7% ao ano no Brasil contrasta com 2,2% mais o CPI nos EUA. A diferença atual é de 5,7 pontos percentuais.
A diferença entre as duas economias, porém, não é nova: a média desse hiato nos últimos 20 anos é de 5,4 p.p., sugerindo que o prêmio atual está alinhado com a tendência histórica.
O juro real americano de dez anos implícito na curva indica 3,2% ao ano. Se esse patamar se manter, o juro real brasileiro de dez anos pode chegar a 8,6% ao ano.
Investidores comparam retorno e risco globalmente. Olhar apenas para o histórico recente do Brasil pode levar a avaliações incompletas ou distorcidas.
Entre 2017 e 2022, houve períodos em que títulos com IPCA+ ficaram abaixo de 4% ao ano. Nesse contexto, o IPCA+ 7% parece elevado, mas o cenário mudou após a pandemia.
A expansão da dívida pública mundial após a pandemia elevou os custos de longo prazo. Nos EUA, a dívida já passa de 120% do PIB, o que incentiva remunerações maiores para maturidades longas.
Não há previsão de queda abrupta dos juros no Brasil apenas por uma reversão recente. O mercado já sinaliza que o mundo não volta ao cenário de juros reais próximo de zero.
Outra abordagem sugere: em vez de questionar se o Brasil paga IPCA+7%, questionar por que ainda esperamos juros reais próximos de zero. O ambiente mudou, e o mundo acompanha essa mudança.
Michael Viriato, planejador patrimonial e sócio da Casa do Investidor, comenta a dinâmica de risco-retorno global e a evolução do cenário internacional. O conteúdo baseia-se em dados de mercado e na visão de especialistas.
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