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Mercado imobiliário bate recordes; classe média enfrenta falta de oferta em SP

Mercado imobiliário de São Paulo registra recordes, mas a classe média vê apagão de oferta, com estoque alto e foco em MCMV e alto padrão

Apartamentos de até R$ 60 milhões impulsionam crescimento do segmento, que ainda representa fatia pequena do mercado paulistano.
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  • Em São Paulo, o mercado imobiliário registra recordes, mas a oferta para a classe média caiu: apenas 12,7% dos lançamentos no último trimestre foram destinados a esse público, frente a 32,8% em 2021.
  • Os juros elevados mantêm o crédito caro e reduzem a demanda da classe média, enquanto a perda de poder de compra das famílias pressiona a viabilidade dos projetos.
  • O setor segue puxado pelo Minha Casa, Minha Vida e pelo alto padrão; o mercado econômico ganha espaço com subsídios, respondendo por grande parte das vendas e lançamentos.
  • Nos últimos 12 meses, foram lançados mais de 165 mil apartamentos em São Paulo e o estoque de imóveis novos chega a 113 mil unidades, com alta de 16% em relação ao período anterior.
  • Com muitas opções novas e pouca oferta para a classe média, a locação surge como alternativa para o curto prazo, enquanto as medidas do governo para ampliar faixas de renda ainda não mexeram nos lançamentos.

O mercado imobiliário de São Paulo atingiu novos recordes, impulsionado pelo desempenho do segmento econômico e pela resiliência do alto padrão. Enquanto os lançamentos voltados à classe média recuaram, as vendas e a liquidez permaneceram sustentadas por políticas públicas e subsídios.

Dados da Brain Inteligência Estratégica apontam que, no último trimestre, apenas 12,7% dos apartamentos lançados na cidade foram destinados à classe média, contra 32,8% em 2021. Analistas destacam que o cenário favorece o MCMV e o segmento de alto padrão.

Executivos observam que juros elevados mantêm o crédito caro, reduzindo a demanda da classe média. Cyro Neufel, da Lopes, cita perda de poder de compra das famílias, enquanto Fábio Tadeu Araújo, da Brain, classifica o momento como o pior para o médio padrão em duas décadas.

Mercado geral em crescimento

A alta é impulsionada pelo mercado como um todo, com mais de 150 mil apartamentos vendidos nos últimos 12 meses. A média diária fica acima de 410 unidades, representando um aumento de 13% ante o período anterior. O segmento econômico é o principal motor dessas operações.

Setin Incorporadora, por meio da Mundo Apto, Eztec com a Fitcasa e a Cyrela, via Vivaz, ampliam participações no MCMV. Mesmo imobiliárias tradicionais, como a Lopes, passaram a comercializar unidades dentro do programa habitacional.

“As mudanças nas regras do MCMV aumentaram a demanda por imóveis desse segmento”, afirma Cyro Neufel, diretor da Lopes. A viabilidade financeira de lançamentos para a classe média segue sob avaliação, conforme especialistas.

Estoque e velocidade de venda

O estoque de imóveis novos em São Paulo atingiu 113 mil unidades, alta de 16% em 12 meses. O tempo médio para vender é de nove meses, segundo o relatório. A maior parte dos imóveis em estoque é de até 350 mil, com 51,7% nessa faixa.

A participação do MCMV permanece expressiva: 62,6% das unidades vendidas e 61,8% dos lançamentos na cidade são do programa habitacional. Nos últimos 12 meses, 112 mil imóveis foram lançados e 95 mil vendidos dentro do segmento econômico.

Desafios para a classe média

A oferta para a classe média diminuiu, com apenas 6,9% do estoque disponível sendo de padrão médio. O tempo de escoamento dessas unidades fica em 16 meses. Em comparação, imóveis de alto padrão costumam ter liquidez menor, com venda em cerca de 14 meses.

Especialistas atribuem a queda de lançamentos médios à maior atratividade de produtos com faixas de renda menores e a incentivos governamentais. A desaceleração também reflete o aperto de crédito e o endividamento das famílias.

Perspectivas e caminhos

Segundo analistas, a solução de curto prazo passa pela locação para a classe média, dada a dificuldade de acesso à compra. A expansão do Faixa 4, para imóveis de até 600 mil reais, ainda não gerou efeito perceptível nos lançamentos, e o financiamento via SFH teve teto aumentado para 2,25 milhões.

Especialistas alertam que, se as condições para a classe média não melhorarem, as incorporadoras tendem a manter o foco nos segmentos de menor e maior renda, deixando a classe média mais distante de lançamentos no curto prazo.

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