- A produtividade por hora trabalhada caiu 0,5% no primeiro trimestre, segundo o FGV Ibre.
- O Brasil caiu sete posições no ranking global de competitividade de 2026, ficando em 65º lugar entre 70 economias, segundo o IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral.
- Agro mantém crescimento de produtividade, enquanto indústria e serviços ficam estagnados; o peso do agronegócio amplia o efeito no desempenho agregado.
- Juros elevados (14,25% ao ano) e alta informalidade são apontados como entraves à produtividade e à incorporação de mão de obra qualificada.
- Especialistas ressaltam a necessidade de visão de longo prazo e melhoria na formação para reverter o quadro de competitividade.
O que aconteceu: o desempenho da produtividade brasileira recuou no início deste ano. O estudo do FGV Ibre aponta queda de 0,5% na produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre, sinalizando continuidade de uma tendência de longa data. A leitura reforça a dificuldade de elevar a eficiência produtiva no país.
Quem está envolvido e onde: pesquisadores da FGVEESP, representando o FGV Ibre, destacam que a produtividade ganha relevância para a competitividade do Brasil, com o agronegócio puxando ganhos enquanto indústria e serviços permanecem estagnados. Essas avaliações dialogam com dados de instituições nacionais e internacionais.
Quando e por quê: os números referem-se ao primeiro trimestre do ano. As causas apontadas incluem a taxa básica de juros elevada, altos custos de operação, informalidade no mercado de trabalho e entraves logísticos e tributários. A mão de obra qualificada aparece como um fator-chave para reverter o quadro.
Aprofundamento: especialistas associam a queda de produtividade a uma relação direta entre custo de capital, investimento produtivo e qualidade da formação. A formação desde o ensino básico até a profissional é citada como gargalo para ampliar a eficiência das empresas em setores estratégicos.
Desempenho setorial
O agronegócio aparece como diferencial positivo, com crescimento de produtividade que contrasta com a estagnação da indústria e dos serviços. Como o setor de serviços responde por grande peso no PIB, a indústria de serviços mais lenta freia o desempenho agregado da economia.
Para especialistas, o desequilíbrio setorial tende a reduzir o impacto positivo do agro no resultado geral. A visão é de que a estrutura de produção brasileira requer ajustes para sustentar ganhos de produtividade em várias frentes.
A cadeia produtiva também é citada como obstáculo: logística cara e complexa, bem como a carga tributária, aparecem entre fatores que limitam a eficiência. A redução de entraves seria condição importante para elevar o desempenho agregado.
Competitividade global em jogo
No plano internacional, o Brasil caiu sete posições no ranking de competitividade de 2026, ficando na 65ª posição entre 70 economias avaliadas pelo IMD World Competitiveness Center, em parceria com a Fundação Dom Cabral. A leitura aponta fragilidades institucionais e de mão de obra como pontos de fraqueza.
Entre os países líderes, Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos se destacam pela visão de longo prazo e pela robustez de processos, que subsidiam o alto nível de qualificação da força de trabalho. Esses aspectos aparecem como referência para a comparação com o Brasil.
Para Tatiana Ribeiro, a queda refletiu principalmente na qualidade da mão de obra. A avaliação aponta que o custo de capital e a fragilidade institucional também pesam sobre a posição brasileira no ranking. O debate sobre políticas públicas voltadas à produtividade permanece, segundo especialistas, essencial para reverter o cenário.
Entre na conversa da comunidade