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Conheça produtores de vinho da Califórnia que investem em cerveja e uísque

Enólogos da Califórnia expandem para cerveja, vermute, uísque e tequila, buscando ampliar o público sem abandonar o vinho

whiskey glass, barrel
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  • Produtores de vinho californianos passaram a explorar bebidas além do vinho, como cerveja, vermute, gin, uísque e tequila, buscando alcançar público mais amplo.
  • Nick Gislason, da Screaming Eagle, criou a Hanabi Lager Co em 2015, com foco em lições de fermentação, grãos de sabor e até cevada quase extinguida; a cerveja é distribuída em seis estados e exportada para países como Suécia e Japão.
  • Massican, de Dan Petroski, lançou vermute, cerveja e gin — mas, devido a dificuldades de distribuição, encerrou cerveja e gin em 2022; a marca foi adquirida pela Gallo em 2023.
  • Vermute da Matthiasson Wines, produzido desde 2011, usa base de vinho com botânicos e frutas, hoje distribuído nos EUA e exportado para diversos países, incluindo Japão.
  • Na Jackson Family Wines, projetos de uísque incluem Stonestreet Bourbon (2024) e Mt Brave (2025); além disso, há exploração de tequila com Felicente, parceria entre Philippe Melka e Vincent Garry; Jamie Kutch também produz um brandy a partir de borras de Pinot Noir.

Meio mundo do vinho se expande para além das taças. A pergunta que move viticultores norte-americanos é como transformar uva em outras bebidas sem perder a essência do terroir. Em média, o vinho é o foco único de muitos, mas alguns produtores exploram rótulos que vão de cerveja a tequila.

Nick Gislason, da Screaming Eagle, em Napa Valley, percebe a virada como oportunidade de experimentar fermentação contínua. Ele criou a Hanabi, uma lager que soma à vinicultura uma visão agrícola diferenciada, valorizando grãos saborosos, castas diversas e técnicas de fermentação diárias.

Hanabi Lager Co

Gislason enriquece o terroir de Hanabi com manejo cuidadoso de culturas e grãos raros, inclusive uma cevada quase extinta. O rótulo chegou a restaurantes com sommeliers de peso e hoje é distribuído em seis estados dos EUA, com exportação para países como Suécia e Japão.

Massican, de Dan Petroski, também ousa cruzar fronteiras entre vinho, vermute, cerveja e gin. O projeto mundial, iniciado há cerca de uma década, buscava tornar a bebida acessível a quem não é fã de vinhos brancos. Vermute ganhou vida a partir de lotes de vinho que não entraram na mistura final.

Entretanto, dividir canais de distribuição foi desafio significativo. Em 2022, o projeto de vermute acabou, e a linha de cerveja e gim encerrou posteriormente. Em 2023, a Massican foi adquirida pela Gallo, reaberta a possibilidade de novas experiências no futuro.

Vermouth e novas fronteiras

Na prática, o vermouth da Matthiasson Wines, em Napa Valley, segue vivo desde 2011. Steve e Jill Matthiasson transformam vinho fermentado demais em uma bebida aromática, com botânicos locais, para diferentes mercados nos EUA e exportação para países como Japão, o maior destrito.

No setor de destilados, a Jackson Family Wines levou a diversificação a outro nível com Stonestreet Bourbon e Mt Brave, ambos criados no portfólio de Stonestreet e Mt Veeder, no Napa. A estratégia busca integrar o público de vinhos com o de destilados, mantendo o foco na qualidade.

Whisky, bourbon e continuidade

Chris Carpenter, da Mt Brave, analisa blend de barris como faz com vinhos: camadas de sabores que não se sobrepõem, mas se complementam. A ideia é que quem confia no paladar do enólogo tenha curiosidade pelos rótulos de destilados, abrindo portas para novas experiencias de consumo.

Tequila também aparece na cartilha de especialistas. O projeto Felicente, assinado pelo consultor Philippe Melka e Vincent Garry, aposta em agave de alta elevação e técnicas de vinificação para criar estilos de tequila, com distribuição nos EUA e expansão prevista para o próximo ano.

Encerramentos e possibilidades

Jamie Kutch, da Kutch Wines, criou uma linha de brandy a partir de leveduras de Pinot Noir, envelhecida em barris neutros de Chardonnay. Com apenas 90 garrafas por ano, a produção é vendida rapidamente, inclusive para clientes que nunca compraram seus vinhos.

A variedade de iniciativas mostra que a vinicultura do California não se limita a uvas. Cada projeto mantém o rigor técnico e a atenção ao sabor, com aprendizados que voltam a beneficiar os vinhos centrais das produtoras.

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