- Trabalhadores da erva-mate de Misiones, na Argentina, têm migrado para o Brasil em busca de salários melhores, agravando a falta de mão de obra no setor argentino.
- O movimento já soma entre 8.000 trabalhadores registrados atravessando a fronteira, com estimativa de 14 a 16 mil no total quando incluem trabalhadores não registrados.
- A distância curta entre Misiones e o Brasil facilita a mudança: em alguns casos, a viagem leva de 15 minutos a até quatro horas.
- No Brasil, os trabalhadores atuam em atividades como alimentação de gado, granjas, plantio e colheita, com alojamento e alimentação garantidos, e ganhos diários equivalentes a cerca de R$ 246 a R$ 316.
- No país vizinho, a rentabilidade em queda é apontada como motivo da migração, com custos de produção ultrapassando os ganhos, levando produtores a afirmar que a indústria de erva-mate concentra boa parte dos lucros, enquanto os produtores locais veem participação menor no preço final.
A Associação Civil dos Produtores de Erva-mate do Norte aponta que milhares de trabalhadores de Misiones cruzaram a fronteira para o Brasil em busca de salários mais altos e melhores condições de trabalho. A fuga de mão de obra já afeta metade do quadro do setor na região.
Segundo o representante da associação, Julio Petterson, o êxodo registrado supera 8 mil trabalhadores através dos postos de fronteira, somando-se aos não registrados. No total, a estimativa fica entre 14 e 16 mil trabalhadores.
O fenômeno ocorre em meio à queda de rentabilidade dos produtores argentinos e à proximidade geográfica com o Brasil. Petterson afirma que muitos deixam famílias para trás e retornam com dinheiro ganho no Brasil, onde o custo de vida é mais baixo.
Motivos e ganhos
No Brasil, os trabalhadores atuam em atividades como alimentação de animais, avicultura, suinicultura e colheita de grãos. A remuneração média varia entre 70 mil e 90 mil pesos por dia, com alimentação e moradia incluídas, aproximadamente entre R$ 246 e R$ 316.
Petterson ressalta que, no Brasil, há alojamento e refeições fornecidos pelas empresas. Em algumas situações, deslocamentos de 200 a 300 quilômetros são comuns, com suporte de moradia. A diferença de salário é a principal atração.
Contexto do setor
O anúncio sobre o êxodo ocorre em um momento de deterioração econômica na indústria da erva-mate na Argentina. Enquanto parte do setor migra, a Argentina assumiu, em 2025, o posto de principal exportador mundial de erva-mate, registrando recordes de volume e valor.
Petterson cita o custo de produção elevado: mais de 500 pesos por quilo de folhas verdes, contra remuneração de cerca de 260 pesos pelo comprador. Ele aponta ainda queda na participação dos produtores no preço final, que caiu de 12% para cerca de 4%.
Ele comenta que a desregulamentação do setor, associada a mudanças de política, reduz a capacidade do Instituto Nacional da Erva-Mate de fixar preços. Assim, as fábricas definem o preço pago aos produtores.
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