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Por que mais mulheres chinesas adotam roupas masculinas

Jovens chinesas passam a usar roupas masculinas por conforto, qualidade e preço, acelerando a mudança no guarda-roupa em meio à desaceleração do consumo

A mudança no modo de vestir acontece em meio a um cenário de enfraquecimento do consumo na economia chinesa
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  • A cada vez mais jovens mulheres chinesas passam a usar roupas masculinas por motivos de qualidade, preço baixo, conforto e menos pressão estética.
  • No Xiaohongshu, a hashtag “mulheres usando roupas masculinas” acumula mais de 82 milhões de visualizações; a de “moda de gênero neutro” passa de 90 milhões.
  • O caso de Kexin mostra que a mudança começou em 2023, após vídeos de camisetas masculinas no Douyin; ela descobriu que peças unissex eram mais confortáveis e baratas (cerca de 100 yuans).
  • A tendência acontece em contexto de enfraquecimento do consumo na China pós-pandemia, com consumidoras adotando consumo reverso e devoluções fáceis.
  • A indústria enfrenta pressões: queda da produção e exportação, crescimento de varejo baixo, compras de modelos prontos do Sudeste Asiático e maior custo para tamanhos grandes, o que pode acelerar a mudança.

O guarda-roupa das jovens chinesas está mudando e não apenas por moda. Em 2023 e 2024, relatos e pesquisas apontam que roupas masculinas ganham espaço por qualidade, preço e conforto. O movimento ocorre em meio a um consumo mais contido na economia chinesa.

Kexin, que não revela o sobrenome, observou a mudança ao organizar o guarda-roupa: mais peças masculinas do que femininas, compradas para uso próprio. O fenômeno se espalha entre amigas e em publicações nas redes sociais.

As discussões ganharam força na Xiaohongshu, com hashtags sobre mulheres usando roupas masculinas e moda neutra atingindo milhões de visualizações. Debates destacam algodão, linho, bolsos maiores e acabamento, além de custo mais baixo.

Por que agora

A notícia envolve jovens chinesas que buscam peças com maior conforto e durabilidade. O preço acessível de camisas masculinas, em torno de 100 yuans, facilita testar o novo estilo sem grande risco financeiro.

A mudança também aparece como resposta a padrões de consumo. Quem trabalha em jornadas longas, como a rotina descrita pela chamada de 996, prioriza economia e versatilidade, reduzindo gastos com roupas.

Desafios de ajuste e indústria

O tamanho aparece como ponto crítico. Peças femininas costumam ficar apertadas em muitos corpos, levando consumidoras a escolher modelos masculinos para melhor caimento e utilidade prática, como bolsos para tablets e livros.

A indústria da moda na China enfrenta queda de produção e exportações desde a pandemia. O varejo cresceu pouco em 2024, e marcas recorrem a modelos prontos do Sudeste Asiático, que nem sempre ajustam ao corpo local.

Impactos no consumo e no futuro

Especialistas ouvidos apontam que os custos de tecidos sobem e os tamanhos maiores exigem mais modelagem, o que eleva custos. Com isso, tende a aumentar a oferta de modelos mais cropados ou ajustados, mantendo a pressão sobre o preço.

Para consumidoras como Kexin, a tendência representa uma reorganização do guarda-roupa e uma mudança de hábitos de compra, com foco em valor, durabilidade e uso repetido ao longo de temporadas.

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