- O gasto militar global atingiu quase US$ 2,9 trilhões em 2025, sinalizando uma tendência de crescimento sustentado há mais de uma década.
- A defesa volta a ocupar posição central nas agendas públicas, com a Europa acelerando orçamentos e a Espanha ampliando significativamente o peso da defesa no PIB.
- A Rheinmetall fechou 2025 com vendas quase 30% menores? Wait: actually “crescimento perto do 30%” (positive). Correct: quase 30% de crescimento nas vendas e carteira de pedidos superior a 60 bilhões de euros.
- A Lockheed Martin mantém uma carteira de pedidos próxima a US$ 200 bilhões, com demanda elevada por defesa aérea, mísseis, satélites e tecnologia militar.
- A Indra, na Espanha, aumenta a divisão de defesa, participa de programas europeus e espera crescimento da integração de investimentos militares nacionais.
A despesa em defesa volta a ocupar posição central na economia global, impulsionada por mudanças geopolíticas profundas. Em 2025, o gasto militar atinge perto de 2,9 trilhões de dólares, estabelecendo uma tendência de longo prazo.
A Europa acelera seus orçamentos de defesa. Espanha, por exemplo, dobrou o peso da defesa no PIB em quatro anos. Nos EUA, o esforço é sem precedentes, enquanto a Ásia fortalece capacidades estratégicas.
Empresas do setor refletem esse ciclo. Rheinmetall fechou 2025 com crescimento próximo de 30% nas vendas e carteira de pedidos acima de 60 bilhões de euros. Investidores já antecipam que o rearme será de anos, e não meses.
Lockheed Martin mantém carteira de pedidos próxima a 200 bilhões de dólares, com demanda elevada por sistemas de proteção aérea, mísseis, satélites e tecnologia militar.
No mercado espanhol, Indra figura entre os players beneficiados. A divisão de defesa cresce, há participação maior em programas europeus e o impulso de investimentos nacionais reforça o negócio e a atratividade para investidores.
O que orienta esse movimento não é apenas a inflação ou o crescimento, mas a geopolítica. Ameaças como a guerra na Ucrânia, tensões entre EUA e China e desdobramentos no Oriente Médio redirecionam prioridades públicas e privadas.
Conforme governos apresentam déficits de financiamento, cresce a necessidade de capital para defender capacidades estratégicas. Em um cenário de juros mais altos, surge a pergunta sobre quem assume o peso da dívida adicional.
Um paradoxo marca a década: maior gasto em defesa em um mundo com endividamento elevado. Governos enfrentam envelhecimento populacional, transição energética, infraestrutura e agora defesa, tudo com custos mais altos.
Os bancos centrais podem manter política mais restritiva por mais tempo, diante do choque inflacionário gerado por conflitos regionais. Isso já se observa em decisões recentes do BCE e da Reserva Federal.
Para investidores, o cenário implica oportunidades, mas exige cautela. Contratos de defesa costumam ser longos e respaldados por orçamentos públicos estáveis, o que oferece visibilidade de receita.
A análise requer foco na avaliação de valor, balanços e capacidade de execução das empresas. Mesmo com horizontes positivos, nem toda tendência vale o preço atual.
Em resumo, a defesa emerge como tema estrutural da economia contemporânea. O desafio é equilibrar o aumento do gasto com uma economia global mais endividada e juros menos favoráveis.
O panorama aponta para continuidade do aumento do investimento em defesa, com efeitos amplos na indústria, tecnologia e política industrial, além de implicações para finanças públicas e mercados.
Autor: Pedro del Pozo, diretor de investimentos financeiros na Mutualidad de la Abogacía.
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