- O mercado de capitais pode financiar o próximo ciclo de expansão do Brasil, atuando como complemento ao crédito bancário em cenário de restrição fiscal e juros elevados.
- Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, afirma que há avanço em instrumentos de financiamento, mas é preciso ampliar a ligação entre poupança, empresas e projetos produtivos.
- Debêntures incentivadas, sobretudo após a Lei 12.431, contribuem para financiar infraestrutura, com destaque para o potencial de crescimento até 2025 (aproximadamente 177 bilhões de reais nesse tipo de debênte).
- A expansão depende de transformar poupança popular em investimento produtivo, via instrumentos como CRIs, CRAs, FIDCs, notas comerciais e securitização de recebíveis, com necessidade de maior transparência e gestão de risco.
- O caminho envolve regulação, educação financeira e governança, buscando maior liquidez no secundário, redução de custos e uso de tecnologias como tokenização e blockchain, para ampliar o acesso de médias e pequenas empresas ao financiamento estruturado.
A sessão do BM&C Strike teve como tema central o financiamento do próximo ciclo de crescimento no Brasil. Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, afirmou que o país vem avançando em instrumentos de captação, mas ainda depende de maior conexão entre poupança, empresas e projetos produtivos.
Em ambiente com restrições fiscais, juros elevados e demanda por infraestrutura, o mercado de capitais surge como complemento ao crédito bancário. Maranhão sinalizou que, com o cenário atual, o Brasil está preparado para ampliar o aporte de capital de longo prazo em projetos estratégicos.
Infraestrutura exige capital de longo prazo
Projetos de energia, rodovias, saneamento e logística exigem prazos ampliados e previsibilidade regulatória. Estruturas que aceitem riscos não cabíveis ao crédito tradicional são essenciais para viabilizar esses empreendimentos.
O executivo destacou o crescimento das debêntures incentivadas, que aproximam investidores de projetos prioritários. O Marco da Lei 12.431 facilita o uso de recursos privados para atividades com impacto produtivo e melhoria de serviços públicos.
Poupança popular, crédito privado e risco
A expansão depende de transformar poupança em investimento produtivo. Debêntures, fundos de infraestrutura, CRIs, CRAs, FIDCs e notas comerciais passam a diversificar fontes para empresas de diferentes portes.
Ressalta-se que a renda fixa privada envolve volatilidade. Em prazos longos, oscilações de preço e mudanças de cenário podem afetar ativos, tornando vital transparência, marcação a mercado e comunicação com o investidor.
Novos instrumentos ampliam o acesso das empresas
Além das grandes companhias, o desafio é ampliar o acesso de médias, pequenas e regionais ao financiamento estruturado. Simplificar regras, reduzir custos de emissão e criar instrumentos adequados a emissores diversos são caminhos.
A nota comercial surge como inovação ao permitir acesso de empresas limitadas ao mercado de capitais, enquanto a securitização de recebíveis oferece alternativa para firmas com risco operacional ainda pouco conhecido, mas com fluxo de caixa estável.
Regulação, governança e próximos passos
O progresso depende de regulação, inovação, educação financeira e governança fortalecida. Atração de investidores estrangeiros e de fundos de pensão exige maior previsibilidade e facilitação de acesso ao espaço de longo prazo.
A agenda aponta maior liquidez no mercado secundário, custos de negociação mais baixos e avanços em precificação e uso de tecnologias como tokenização. O crescimento brasileiro depende de uma engrenagem multiparte, sem uma única solução.
Não há conclusão nem opinião final; o texto apresenta o conjunto de fatos e perspectivas discutidos pelo entrevistado.
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