- A Nissan interrompeu o desenvolvimento da versão elétrica do Qashqai para reduzir custos e simplificar a linha de modelos.
- Mesmo com o arquivamento, o lançamento do Qashqai elétrico pode ficar para o início da próxima década, dependendo de ajustes no desenho.
- A produção de modelos elétricos já acontece em Sunderland, onde também será produzido o Juke; a demanda na Europa tem mostrado volatilidade.
- A empresa busca apoio financeiro do governo britânico e revisa a estratégia de electrificação, com foco em híbridos e redução da gama de modelos de 56 para 45.
- O ambiente regulatório da União Europeia e a concorrência chinesa influencem os planos na Europa, com a Nissan estudando fabricação conjunta com a Chery em Sunderland.
A Nissan suspendeu o desenvolvimento de uma versão elétrica do Qashqai, seu SUV mais vendido na Europa, para reduzir custos e simplificar a gama de modelos. A decisão, tomada de forma discreta, ocorre em meio a entrada de rivais chineses e tradicionais com alternativas mais baratas no mercado europeu.
Fontes próximas ao assunto indicam que o projeto do Qashqai 100% elétrico pode não chegar ao mercado até o início da próxima década, caso seja necessário redesenhar o veículo. A medida pode deixar a marca japonesa atrás de concorrentes no segmento.
Em 2023, a Nissan anunciou que fabricaria a versão elétrica do Qashqai na fábrica de Sunderland, no Reino Unido, destacando o papel da região como polo de produção de veículos elétricos. Na época, não foi divulgado prazo de entrega.
Desde então, a empresa passou por uma reestruturação global e está em negociações com o governo britânico para apoio financeiro a uma rota atualizada para Sunderland, conforme reportagem da Reuters.
A produção de outros modelos elétricos já ocorre na planta, como o Leaf, e, em abril, a marca lançou o Juke elétrico, que também será fabricado em Sunderland. Mesmo com o eventual retomar do Qashqai elétrico, fontes apontam atraso até 2030.
A Nissan não comentou planos específicos sobre o Qashqai elétrico, mas reafirmou o compromisso com uma linha de veículos “electrificados”, incluindo hÍbridos. A empresa também citou volatilidade da demanda por EVs na Europa e uma estratégia de electrificação equilibrada.
As discussões com Londres envolvem apoio governamental condicionado a criação de novos modelos ou variantes e à proteção de empregos em Sunderland, onde trabalham cerca de 6 mil pessoas. Negócios com a chinesa Chery também foram mencionados pela Nissan em Sunderland.
Analistas destacam que a decisão da Nissan ocorre em meio a uma competição crescente de fabricantes chineses e pressão por cumprir metas de emissão em mercados europeus, com mudanças potenciais nas normas da União Europeia sobre conteúdo local.
A produção de Qashqai a combustão e híbrida representou aproximadamente 45% das 330 mil vendas da Nissan na Europa em 2025, segundo dados analisados pela Reuters. A fabricante também negocia mudanças regulatórias para facilitar a produção de híbridos em Sunderland.
O anúncio de suspensão do projeto faz parte de uma reavaliação mais ampla da linha de modelos da Nissan, que já anunciou redução de 56 para 45 modelos no âmbito global. A empresa também reconsidera planos de fabricar dois SUVs elétricos em Canton, Mississippi.
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