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Digimais: 8,5 bi em CDBs, prejuízo de 109 milhões e ressalvas de auditores

Digimais, alvo da Operação Miragem, tinha 8,54 bilhões em CDBs; auditores apontam ressalvas e possível ocultação de ativos no balanço

No Digimais, os CDBs representavam a maior parte da estrutura de captação
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  • O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, foi alvo da Operação Miragem e possuía R$ 8,54 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDB) em suas demonstrações de 2025, além de outras obrigações.
  • A PF investiga manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios, com suspeita de uso de operações com fundos para transferir ativos problemáticos e melhorar indicadores contábeis.
  • As auditorias apontaram ressalvas em 2025 sobre investimentos em fundos de direitos creditórios, indicando incertezas sobre ativos de aproximadamente R$ 3,1 bilhões e limitações de auditoria.
  • Houve transação com o FIDC Hermon de R$ 741 milhões, com efeito positivo de R$ 126 milhões por reversão de impairment; a compradora é parte relacionada ao banco.
  • O desempenho financeiro mostrou lucro líquido de R$ 31,3 milhões em 2025, prejuízo de R$ 10,8 milhões no segundo semestre e prejuízo de R$ 108,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, com despesas de captação elevadas.

O Banco Digimais, controlado pela holding B.A. Empreendimentos e Participações, ligada ao Grupo Record do bispo Edir Macedo, foi alvo da Operação Miragem deflagrada pela Polícia Federal na manhã de terça-feira, 23 de junho. A investigação aponta indícios de manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para apresentar uma situação financeira mais estável do que a real, facilitando operações possivelmente irregulares. Parte das apurações envolve uso de fundos de investimento para transferir ativos problemáticos para fora do balanço.

Segundo demonstrações financeiras do banco referentes ao segundo semestre de 2025, o Digimais possuía 8,54 bilhões de reais em Certificados de Depósito Bancário (CDB), além de 550 milhões em Letras Financeiras Subordinadas e 40,8 milhões em Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE). Os CDBs representavam a maior parte da captação total de 8,54 bilhões de reais, em meio a uma oferta de remuneração média de 111,86% do CDI aos clientes.

A operação investiga ainda a proteção de até 250 mil reais por CPF pelo FGC e a possibilidade de alta exposição a perdas em cenários de liquidação. Estima-se que, em caso de liquidação extrajudicial, o FGC possa enfrentar saídas superiores a 7 bilhões de reais apenas com casos envolvendo o Digimais, ampliando o histórico de desembolsos do fundo para cobrir credores.

Ao longo de 2025, o banco registrou lucro líquido de 31,3 milhões de reais, porém com deterioração da rentabilidade na segunda metade do ano, quando houve prejuízo de 10,8 milhões de reais no período. Dados do Banco Central, obtidos pelo NeoFeed, indicam que o prejuízo no primeiro trimestre de 2026 foi de 108,7 milhões de reais, com despesas de captação de 340,2 milhões no mesmo intervalo.

Controvérsias e notas de auditoria

As demonstrações de 2025 já traziam ressalvas da auditoria independente CLA Brasil, que indicou limitações para confirmar valores de investimentos em cotas de fundos de upação de 3,1 bilhões de reais e não teve evidências suficientes para ajustes contábeis. Entre as operações sob escrutínio está a venda de cotas do FIDC Hermon por 741 milhões de reais, com efeito contábil positivo de 126 milhões de reais por reversão de impairment. A transação envolve a B.A. Empreendimentos, compradora das cotas, que é parte relacionada ao banco.

Auditores ressaltaram incertezas sobre a adequada classificação e mensuração do ativo, bem como a razoabilidade dos efeitos contábeis decorrentes dessa transação. O Hermon concentra a maior parte de sua carteira em direitos creditórios não padronizados, com gestão pela Bless Capital e administração pela ID Corretora, possuindo patrimônio líquido de cerca de 740,7 milhões de reais em maio de 2026.

A Digimais Participações, controladora do Digimais, é anunciada como controlada pela B.A., ligada ao Grupo Record. Documentos da Receita Federal apontam João Luiz Urbaneja como presidente da B.A. e Thiago Rodrigues Urbaneja como diretor, ambos entre os alvos de mandados de busca e apreensão na operação.

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