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Governo mantém cota zero para kits de carros elétricos

Governo renova por seis meses a cota zero para CKD e SKD, beneficiando BYD e provocando críticas de montadoras e autopeças pela falta de consulta e previsibilidade

Brasil terá 15 marcas de carros chineses até fim do ano; BYD é uma delas
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  • O governo renovou, por seis meses, a quota zero para importação de veículos elétrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), no valor de US$ 463 milhões, a partir de 1º de julho de 2026.
  • A medida não abrange carros montados; acima do limite, continuam as tarifas de 14% para CKD e 35% para SKD.
  • A renovação tende a beneficiar principalmente a BYD, que já opera com SKD e avança para CKD em sua fábrica na Bahia.
  • Montadoras tradicionais e fabricantes de autopeças criticaram a decisão, dizendo que houve falta de consulta ao setor produtivo e que ampliar o benefício reduz previsibilidade de investimentos.
  • Entidades como Anfavea, Abipeças e Sindipeças afirmaram que as cotas adicionais podem distorcer o mercado e impactar planos de investimentos no setor automotivo.

O Gecex-Camex decidiu renovar a cota de importação com alíquota zero para veículos elétrificados desmontados (CKD) e semi‑montados (SKD) por mais seis meses, a partir de 1º de julho de 2026. O limite é de US$ 463 milhões e abrange apenas kits, sem contemplar veículos montados.

A medida, anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) após a 238ª reunião do comitê, visa manter incentivos à entrada de peças para veículos elétricos no país durante o período de transição energética.

A nova cota independe da alíquota aplicável a veículos montados, que continua em 35% para SKD e 14% para CKD acima do teto. Assim, apenas parte dos kits poderá entrar sem imposto durante o período de transição.

A decisão beneficia principalmente a BYD, que já opera com produção de veículos no Brasil em SKD e avança para CKD na fábrica de Camaçari, na Bahia. A empresa tinha participado das discussões sobre a renovação do benefício.

Para o Mdic, a medida está alinhada com a transição energética e com iniciativas de renovação de frota, inovação e descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro.

Críticas vieram de montadoras e de entidades do setor. A Anfavea afirmou que a renovação foi feita sem consulta ao setor produtivo e altera de modo abrupto a política pública já definida. A associação sinalizou preocupação com a previsibilidade de planos de investimento.

Segundo a Anfavea, a extensão de um benefício temporário pode impactar investimentos anunciados pelas montadoras, que já previram aportes significativos no Brasil para a produção de elétricos. A projeção de investimentos do setor envolve cerca de R$ 140 bilhões até 2033.

A Anfavea também destacou que, em 2025, veículos eletrificados produzidos no país representaram 25,9% das vendas do segmento. Entre janeiro e maio de 2026, houve crescimento de 57% comparado ao mesmo período de 2025.

Além disso, a Abipeças e o Sindipeças criticaram a decisão, afirmando que a medida cria distorções de mercado e reduz previsibilidade para fabricantes de autopeças e montadoras. Também ressaltaram o impacto sobre empregos no setor, que envolve aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.

A discussão sobre tributação de veículos elétricos no Brasil começou em 2023, com retomada gradual do imposto de importação sobre híbridos e elétricos. O Gecex havia antecipado para 2027 a cobrança total sobre kits CKD e SKD, mantendo, provisoriamente, uma cota com imposto zerado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.

Agora, mesmo com a cobrança de 35% para veículos SKD montados a partir de julho, a renovação da cota com imposto zero para kits representa continuidade de benefício temporário, conforme o governo.

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