- A Polícia Federal acusa o Banco Digimais de replicar a tática do Banco Master, supervalorizar ativos e ocultar deterioração da carteira de crédito, explorando a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
- A investigação sustenta que a venda do Digimais ao BTG Pactual dependeria de um aporte de cerca de R$ 7 bilhões do FGC, transferindo grande parte do prejuízo para o sistema de proteção.
- Segundo a PF, diretores teriam utilizado reavaliações de direitos creditórios para inflar o patrimônio, criando distorções contábeis e adiando o reconhecimento de déficits.
- O Banco Central destacou irregularidades identificadas na fiscalização, incluindo operações com cotas de fundos adquiridas pela controladora, violação de limites de crédito e indícios de gestão fraudulenta.
- O Digimais tem histórico ligado a Edir Macedo e origem como Banco Renner; a PF aponta risco de liquidação caso o negócio com o BTG não se confirme.
O Departamento de Polícia Federal acusa o Banco Digimais de copiar a tática utilizada pelo Banco Master: superavaliar ativos para camuflar deterioração da carteira de crédito, explorando a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A operação envolve emissão de títulos com rentabilidade desproporcional aos indicadores de mercado.
Segundo a PF, a prática visava ocultar riscos aos controladores e fortalecia a imagem de solvente nos balanços, facilitando possível venda do Digimais ao BTG Pactual. A apuração aponta que a transação dependeria de aporte estrutural do FGC.
A investigação envolve Edir Macedo e familiares, apontados como controladores, e acompanha também a liquidez do banco. Caso a venda ao BTG não se confirme, há risco de decretação de liquidação, conforme apontam os submissions à Justiça.
Contexto da operação e envolvimento
A PF descreve que o Digimais herdou operações do antigo Banco Renner, controlador pela família Renner, com participação de Edir Macedo e Ester Bezerra desde 2013. Em 2020, o banco mudou de nome para Digimais.
Relatos policiais indicam descompassos contábeis e patrimônio líquido negativo no início de 2026. A PF sustenta que déficits bilionários teriam levado à decisão de venda para manter a sanidade financeira, transferindo ônus ao sistema de proteção.
Em 2025 houve tentativa de aquisição pelo Bluebank, apoiado por Maurício Quadrado, mas o BC vetou a operação. Em 2026, o Digimais enfrentou questionamentos sobre ativos de crédito oriundos do Banco Master e irregularidades de documentação.
Fraudes e irregularidades apontadas pelo BC
O BC identificou manobras de contabilidade associadas a cotas de fundos de direitos creditórios não padronizados. Reavaliações supervalorizadas teriam inflado ativos, com custos de aquisição muito superiores aos valores registrados.
Relatórios indicam que, em dezembro de 2025, o Digimais contratou venda a prazo de cotas ao controlador, mantendo valores de reavaliação sem entrada de recursos, o que contrariaria determinações do BC.
A avaliação fiscalizada aponta violação de limites de crédito previstos pelo CMN, extrapolando o teto de exposição. Também há indicação de remuneração de capital no tempo com indexador inflacionário, configurando indicativos de operação vedada.
Implicações legais
A PF classifica as ações como potencial gestão fraudulenta, crime previsto na Lei 7.492/1986, com indícios de violação ao art. 17 e art. 10. A denúncia aponta que o objetivo era conservar aparência de riqueza, mascarando perdas e transferindo responsabilidade para o sistema de garantias.
A apuração destaca que os controles financeiros teriam sido contornados para preservar patrimônios pessoais dos controladores, reduzindo impactos diretos sobre o passivo da instituição. Em caso de continuidade, há possibilidade de medidas judiciais adicionais.
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