- A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem, bloqueando até R$ 670,3 milhões em bens do Banco Digimais, de Edir Macedo.
- A PF aponta indícios de gestão fraudulenta, maquiagem contábil e receitas artificiais no banco, com base em relatórios do Banco Central.
- Buscas foram realizadas em diretores do Digimais e da gestora ID Serviços Financeiros, empresas que prestavam serviços ao banco; funcionários e representantes envolvidos não responderam.
- Na véspera da operação, agência de classificação de risco rebaixou o rating do Banco Digimais, citando deterioração de liquidez, concentração de ativos de risco e pressão sobre a rentabilidade.
- O Digimais foi adquirido por Edir Macedo em 2020, tornou-se Banco Digimais e passou a atuar com foco digital; o histórico da instituição sob nova gestão tem gerado questionamentos sobre privilégios na concessão de crédito.
Oito mandados foram cumpridos pela Polícia Federal na Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira, 23, com bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens do Banco Digimais. A PF aponta indícios de gestão fraudulenta, maquiagem contábil e receitas artificiais na instituição.
O Digimais é controlado majoritariamente pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A operação aponta a participação de diretores, conselheiros e pessoas ligadas à gestora ID Serviços Financeiros. Até o momento, não houve respostas oficiais dos investigados.
Segundo relatos, a ação busca evidências de prejuízos ocultos e de práticas para ocultar a real situação financeira do banco. A PF também vistoriou operações da gestora ID Serviços Financeiros, prestadora de serviços ao Digimais, que não respondeu aos contatos.
Alvos e mandados
Entre os alvos, estavam o diretor jurídico Marcelo de Lima Brasil, o presidente interino João Alves de Campos e o diretor contábil Rodrigo Ruggero. Também foram investigados João Luiz Urbaneja e Thiago Rodrigues Urbaneja, ambos ligados à Igreja Universal e ao conselho do Digimais, além de José Roberto Giancoli Filho, gestor de fundo.
Rodrigo Balassiano, diretor da ID Serviços Financeiros, também teve mandado cumprido, bem como endereços ligados ao Banco Digimais. A investigação envolve ainda a própria instituição e a ID Serviços Financeiros, segundo a PF.
Histórico e contexto
O Digimais ingressou no portfólio de Edir Macedo em 2020, quando ocorreu a aquisição que o transformou e passou por rebranding para mercado digital. A instituição enfrentou questionamentos sobre privilégios na concessão de crédito desde então.
O rebaixamento de risco do Digimais ocorreu na véspera da operação, com justificativa em indicadores de liquidez deteriorados, alta concentração em ativos de risco e pressão sobre a rentabilidade. Analistas mencionam desconfiança de governança e sustentabilidade.
Perfil do controlador
Edir Macedo é o proprietário majoritário do banco e figura central na operação. Além da Igreja Universal, ele é acionista da Record TV e possui investimentos em outras áreas. A defesa e a diretoria do banco não emitiram pronunciamentos sobre o desdobramento.
A PF não comenta informações adicionais, e as partes envolvidas não se manifestaram publicamente até o fechamento deste relatório. As informações, até aqui, são apuradas pela imprensa e pela Polícia Federal.
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