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Tentativas frustradas de venda do Digimais não obtêm êxito

Operação Miragem complica tentativas de venda do Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, com veto do Banco Central e entraves regulatórios

As tentativas frustradas de venda do Digimais
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  • O Digimais, banco controlado pelo bispo Edir Macedo, teve várias tentativas de venda, incluindo uma com o BTG Pactual em 2026.
  • Em 8 de abril de 2026, o BTG informou ter celebrado documentos para aquisição do controle, mas o negócio dependia de aprovações regulatórias do Banco Central e do Cade, além de aprovação do FGC para um empréstimo.
  • Em 17 de abril, a Polícia Federal iniciou a Operação Miragem, com mandados de busca contra diretores do banco e da corretora ID, investigando manipulação de demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas, com base em relatórios do Banco Central.
  • O histórico inclui um plano de recomposição de capital apresentado pelo Digimais em 1º de março de 2024 e, em janeiro de 2025, a transferência de controle para Maurício Quadrado (BlueBank), que recebeu aprovação do Cade mas não seguiu para aprovação do Banco Central e o acordo foi desfeito.
  • Além do Quadrado, outros interessados passaram pelo radar, como o Nubank em meados de 2025 e Tércio Borlenghi Jr., da Ambipar, mas nenhum negócio avançou. O BC teria vetado a operação envolvendo Quadrado.

O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, viveu várias tentativas de venda nos últimos anos. A operação mais recente envolveu o BTG Pactual, anunciada em 8 de abril de 2026, mas não avançou.

Em comunicado ao mercado, o BTG informou ter celebrado documentos vinculantes para aquisição do controle do Digimais. Os acionistas da instituição também confirmaram o interesse, em nota publicada separadamente no dia seguinte.

Para que a transação fosse efetivada, havia condições a cumprir: classificação da proposta como vencedora em processo competitivo, aprovações regulatórias do Banco Central e do Cade, além da aprovação do FGC para eventual empréstimo.

Segundo apuração do NeoFeed, o empréstimo não foi aprovado pelo FGC, o que complicou a operação. Uma fonte próxima afirmou que o FGC não chegou a abrir as contas para análise.

Operação Miragem e desdobramentos

Na semana seguinte, a Polícia Federal abriu a Representação que embasa a Operação Miragem, deflagrada em 23 de junho. Mandados de busca foram cumpridos contra diretores do Digimais e da corretora ID, responsável pela gestão de fundos. A apuração envolve possível manipulação de demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas.

O Banco Central apoiou a apuração e gerou relatórios que subsidiaram a investigação. O histórico de venda do Digimais já vinha sendo estudado por anos, com planos de recomposição de capital apresentados ao BC em 1º de março de 2024.

Tentativas anteriores e potenciais interessados

Em 2024, o Digimais apresentou um plano de capitalização de 250 milhões de reais e provisionamento de 200 milhões, além de ajustes na governança e gestão de riscos. Em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, passou a considerar a compra por meio da holding BlueBank, alvo de aprovação pelo Cade.

O Cade chegou a aprovar a operação, e Quadrado descreveu a aquisição como oportunidade de expansão no varejo. Contudo, a due diligence não chegou a avançar, e o BC não recebeu a documentação necessária, levando ao cancelamento do processo.

Outras sondagens também foram relatadas. O Nubank avaliou a possibilidade de aquisição em 2025, com interesse ligado à obtenção de licença bancária, sem detalhar o acordo com o Digimais. O fundador da Ambipar, Tércio Borlenghi Jr., chegou a apresentar uma proposta ao BC, mas não houve avanço, e a Ambipar posteriormente entrou com recuperação judicial.

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