- A Venezuela deve divulgar uma dívida total de US$ 240 bilhões, superando as estimativas anteriores e configurando a maior reestruturação soberana da história.
- A reestruturação envolve credores do governo e da empresa petrolífera PDVSA, com cerca de US$ 60 bilhões, além de US$ 40 bilhões em juros acumulados desde a inadimplência.
- Estima-se que haja entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões de dívida com empresas petrolíferas, mais de US$ 20 bilhões em indenizações judiciais e débitos com a China, a Rússia e bancos de desenvolvimento.
- A presidente interina Delcy Rodríguez pretende um acordo com credores até o fim de 2026, com apoio do Centerview Partners, e sem uma análise de sustentabilidade da dívida feita pelo FMI.
- O Banco Central divulgou aumento nas vendas de petróleo, mas ainda abaixo dos níveis pré-reestruturação.
A Venezuela deve anunciar uma dívida total de US$ 240 bilhões, segundo informações de fontes familiarizadas com o tema. A confirmação pode superar a estimativa anterior de US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões e tornaria a reestruturação a maior da história.
A reestruturação envolve uma variedade de credores e dívidas, refletindo anos de inadimplência. Títulos do governo e da PDVSA somam cerca de US$ 60 bilhões, com juros de aproximadamente US$ 40 bilhões acumulados.
A soma inclui entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões de débitos com empresas petrolíferas, mais de US$ 20 bilhões em indenizações judiciais. Dívidas com China, Rússia e bancos de desenvolvimento também estão contempladas.
Elementos-chave do processo
Delcy Rodríguez, presidente interina desde a deposição de Maduro, busca acordo com credores até 2026, com apoio do Centerview Partners. A sustentabilidade da dívida não foi avaliada pelo FMI, gerando dúvidas sobre o posicionamento de negociação.
O Banco Central informou aumento nas vendas de petróleo, ainda abaixo dos níveis pré-reestruturação. O país prepara divulgação de panorama macroeconômico, estimando o PIB em cerca de US$ 100 bilhões, muito abaixo de 370 bilhões em 2012.
Estrutura de liderança e conjecturas
O Centerview, liderado por Matthieu Pigasse, atua como consultor financeiro e coordena o plano de reestruturação. Pigasse tem histórico de atuação em reestruturações de Grécia e Argentina e mantém ligações com Caracas.
Houve sinalizações de que a análise de sustentabilidade não será feita pelo FMI. Isso pode levar credores a interpretar a avaliação financeira como sinal de redução expressiva do valor da dívida.
Cenário econômico e financiamento
A Venezuela voltou a manter relações técnicas com o FMI desde abril, após um período de afastamento. Debates internos apontam para a necessidade de auditoria e de perimetro de dívida claro para a negociação.
O país acompanha a recuperação do setor de petróleo, com números de exportação mantendo crescimento modesto. Nos primeiros três meses do ano, o BC informou vendas externas de US$ 5,5 bilhões, acima de trimestres anteriores, mas ainda abaixo do auge anterior a sanções.
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