- Braskem pediu proteção judicial com Tutela de Urgência Cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, antes de protocolar a recuperação extrajudicial, em meio a impasse com credores.
- Documentos mostram que a empresa e o Ad Hoc Group não chegaram a acordo após três rodadas de propostas, com posições irreconciliáveis entre as partes.
- A proposta da Braskem era alongar vencimentos por cinco anos, reduzir cupom em dois pontos percentuais e pagar juros em PIK entre julho de 2026 e dezembro de 2028, sem dinheiro novo, garantias ou redução de principal.
- Os credores exigiram que a Petrobras participe das negociações e aceitem aumento de cupom, além de limitar uso de caixa e exigir compartilhamento de encargos, com restrições a financiamentos do BNDES para o projeto Transforma Rio.
- O cenário aponta para dois caminhos: nova rodada com a presença da Petrobras ou recorrência à cautelar para ganhar tempo enquanto se busca acordo, diante de um fluxo de caixa negativo esperado para dezembro de 2026.
A Braskem recorreu a uma Tutela de Urgência Cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo para ganhar tempo. A medida suspende temporariamente o pagamento de obrigações enquanto a empresa negocia com credores. O objetivo é evitar decisões rápidas antes de avançar com a recuperação extrajudicial.
A companhia planejava protocolar a recuperação nesta quinta-feira, 25 de junho, conforme acordo de confidencialidade com credores. Os documentos mostram que as negociações passaram por impasse e não houve avanço suficiente para concluir o plano dentro do previsto.
A medida também sinaliza a possibilidade de ações externas, com menção a medidas protetivas no exterior, indicando eventuais passos nos Estados Unidos para proteção de ativos. Os dados surgem de documentos ligados ao Projeto Catalyst, assessorado pelo banco Lazard, que orienta as negociações.
Situação jurídica e negociações
Três rodadas de propostas entre a Braskem e o Ad Hoc Group (AHG) de bondholders não resultaram em acordo. O AHG reúne gestoras como Capital Group e AllianceBernstein, além de distressed funds como Elliott e SVP. As propostas foram rejeitadas de ambos os lados.
A proposta da Braskem era considerada austera pelos credores. A empresa solicitava alongamento de vencimentos em cinco anos, redução de 2 pontos percentuais no cupom e o uso de juros em PIK entre 2026 e 2028, sem redução de principal nem garantias de ativos. Os credores classificaram a oferta como insatisfatória.
Os membros do Steering Committee do AHG alegaram que incluir redução de cupom seria inaceitável e questionaram a seriedade do processo. Os credores defenderam que qualquer concessão de prazo fosse compensada por aumento de cupom e exigiram participação direta da Petrobras, para possível aporte ou compartilhamento de encargos.
A Braskem havia indicado, na resposta aos credores, que a contraproposta também não atendia aos seus interesses. A Petrobras, acionista controladora, foi citada como necessária para a continuidade das negociações.
Caixa, vencimentos e prioridades
Conforme projeções apresentadas aos credores, a liquidez da Braskem aparece como ponto crítico. O fluxo de caixa sem reestruturação aponta saldo de caixa livre negativo em US$ 821 milhões no fim de 2026. Em agosto a companhia tem US$ 878 milhões em dívida a vencer no terceiro trimestre de 2026, incluindo bonds, debêntures e cartas de crédito.
Entre os títulos, o Bond 2028 (US$ 1,19 bilhão) e o Bond 2030 (US$ 1,51 bilhão) são os mais próximos de vencimento, totalizando quase US$ 2,7 bilhões nos próximos quatro anos. Juros semestrais desses títulos já pressionam o caixa. O revolving credit facility de US$ 1 bilhão vence em dezembro de 2026 e é visto como gatilho de liquidez.
Cenários em debate
Diante do impasse, fontes de mercado citadas pelo NeoFeed apontam dois cenários possíveis. O primeiro envolve nova rodada de negociações com a Petrobras à mesa, considerando a exigência do AHG de participação da estatal para avançar.
O segundo cenário envolve a adoção de uma tutela para suspender pagamentos por um período, dando à Braskem o tempo necessário para estruturar um acordo. Ambos os cenários dependem de apoio acionário e de compromissos financeiros que permitam reduzir a pressão de caixa durante as tratativas.
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