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Calor extremo leva Europa a repensar uso de ar-condicionado

Ondas de calor elevam demanda por ar-condicionado na Europa, com receita prevista de 11,43 bilhões de euros em 2029, ante 8,35 bilhões em 2024

Condicionadores de ar em telhado de Düsseldorf: apenas cerca de 20% dos lares europeus dispõem do aparelho
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  • Ondas de calor extremo na Europa estão mudando a visão sobre ar-condicionado, ainda visto por muitos como luxo ou excesso energético.
  • Temperaturas acima de 40°C tornaram-se mais frequentes em França, Alemanha e Reino Unido, pressionando saúde, infraestrutura urbana e rotinas de trabalho.
  • Adoção de ar-condicionado na Europa continua baixa: média de 20% em residências, Alemanha 3% e Reino Unido 5%, bem abaixo de EUA e Japão, onde chega a 90%.
  • Fatores históricos, arquitetônicos e econômicos ajudam a resistência: clima, construções com paredes grossas e custo da energia elevada dificultam a popularização do equipamento.
  • O debate atual envolve eficiência energética, modernização de edifícios e combate ao efeito de ilha de calor; estudos mostram que o uso de ar-condicionado pode elevar a temperatura externa em até 2 a 4 °C, e a receita do setor deve subir de 8,35 bilhões de euros em 2024 para 11,43 bilhões de euros em 2029.

A Europa encara ondas de calor cada vez mais intensas, com temperaturas acima de 40°C, e repensa o uso do ar-condicionado. A percepção de que o equipamento é símbolo de gasto energético começa a mudar em diversos países. O cenário atual acelera discussões sobre saúde pública, infraestrutura e hábitos de consumo.

Schimps de temperaturas elevadas têm pressionado sistemas de saúde, escolas e serviços urbanos. Regiões inteiras fecharam escolas, emitiram alertas e ajustaram jornadas de trabalho para reduzir riscos relacionados ao calor extremo. O tema ganhou destaque político, especialmente em debates sobre proteção a grupos vulneráveis.

Ao mesmo tempo, a adesão ao ar-condicionado na Europa segue baixa em comparação aos EUA e Japão, onde a taxa de uso em residências pode chegar a 90%. Na Europa, a média fica em cerca de 20%, com 3% na Alemanha e 5% no Reino Unido, por exemplo. A diferença envolve cultura, arquitetura e economia.

Resistência histórica

A explicação envolve passado e tradição. Até algumas décadas, ondas de calor eram menos frequentes e o ar-condicionado não integrava a vida doméstica. A arquitetura tradicional de muitos países, com paredes grossas e ventilação natural, ajuda a reduzir a necessidade de refrigeração.

A preservação de centros históricos e normas de construção também dificultam instalaçõ es de aparelhos no uso diário. Além disso, o custo da energia na Europa permanece elevado, tornando a operação do ar-condicionado menos atrativa para famílias.

Debate climático

Especialistas destacam o equilíbrio entre proteção contra calor extremo e impactos energéticos. O uso massivo de aparelhos pode comprometer metas de neutralidade de carbono até 2050, além de potencialmente aumentar o calor externo nas ruas, pelo efeito ilha de calor.

Relatórios indicam que, em Paris, aparelhos de ar-condicionado podem elevar a temperatura externa em 2 a 4°C, sobretudo em áreas densas. O debate inclui eficiência energética, modernização de edifícios e expansão de áreas verdes.

Mudança de mentalidade

Mesmo com reservas ambientais, o calor favorece mudanças culturais. Varejistas relatam aumento de vendas de ventiladores e ar-condicionado, inclusive no norte europeu. França discute ampliação do acesso em escolas, hospitais e residências de idosos, mais vulneráveis ao calor.

A tendência sugere crescimento contínuo da demanda, com ondas de calor mais frequentes e verões mais longos impulsionando o mercado de refrigeração. Pesquisas apontam crescimento da receita de unidades de ar-condicionado na Europa, de 8,35 bilhões de euros em 2024 para 11,43 bilhões em 2029.

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