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Caso Americanas: rombo gigante é atribuído a executivos

Nova fase da Operação Disclosure amplia apuração, envolvendo acionistas de referência e executivos; PF aponta possível participação de alto escalão e bancos cooperam

Lojas Americanas: de volta ao escândalo
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  • Em 2023, a Americanas revelou dívidas não reconhecidas de R$ 20 bilhões, levando à queda das ações e à abertura de recuperação judicial para evitar a falência.
  • A fraude contábil envolveu registros de empréstimos com bancos que deveriam aparecer como dívida bancária, mas eram contabilizados como “fornecedores” para inflar o lucro operacional.
  • Contratos de Verba de Propaganda Cooperada foram criados artificialmente para sustentar ganhos falsos, com bônus milionários para executivos e venda de ações por insiders meses antes do escândalo.
  • A nova fase da Operação Disclosure mira acionistas de referência e pessoas ligadas a eles; mandados atingiram Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, que não atenderam a pedidos de entrevista. Americanas afirma não ser alvo da operação e que coopera com as investigações.
  • A Justiça bloqueou até 54 bilhões de reais em bens dos investigados; bancos Itaú, Santander e Bradesco atuam na investigação, com o Santander e o Itaú afirmando cooperação contínua e o Bradesco acompanhando as autoridades.

O caso envolve uma quebra de confiança na varejista Lojas Americanas após a revelação de um rombo contábil de cerca de R$ 20 bilhões em janeiro de 2023. A empresa anunciou dívidas não reconhecidas e pediu recuperação judicial para evitar a falência.

A fraude teria ocorrido por meio do registro indevido de empréstimos com bancos para pagamento antecipado a fornecedores, reduzindo o passivo em contas de fornecedores e inflando lucros operacionais. Contratos de verba de propaganda cooperada também foram lançados sem lastro.

Segundo as autoridades, a fraude gerou bônus milionários para a cúpula da empresa com metas artificiais, além de operações de insider trading envolvendo venda de ações por executivos antes da publicização do caso.

Com a nova fase da Operação Disclosure, a PF ampliou as investigações para além da diretoria, mirando acionistas de referência. Mandados de busca atingiram empresários próximos aos controladores, como Beto Sicupira e Paulo Lemann, que não responderam a pedidos de entrevista.

A Americanas informou não ser alvo da nova fase e afirmou colaborar com as investigações. A PF também investiga ex-integrantes do conselho de administração e executivos de bancos, com bloqueio de até R$ 54 bilhões em bens.

Bancos Itaú, Bradesco e Santander são citados na apuração. O Santander disse atuar ao lado das partes prejudicadas e manter cooperação com as autoridades. O Itaú afirmou colaborar desde 2023 e rechaçou alterações de documentos apresentados à Justiça.

A nova linha de apuração aponta possíveis omissões no topo da pirâmide e no sistema financeiro envolvido, mudando o tom das primeiras informações sobre o caso. A PF mantém as investigações em curso.

Segundo os bancos, a cooperação inclui fornecimento de documentos, registros contábeis e informações para esclarecer eventuais irregularidades praticadas pela antiga gestão da Americanas. As autoridades não confirmam detalhes adicionais.

O desdobramento envolve ainda a avaliação de responsabilidades de acionistas de referência, além de esclarecer impactos para credores e mercado. O andamento depende de novas diligências e decisões judiciais.

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