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Cidade estima perdas com nova operação no Campo de Marte

A implantação do IFR no Campo de Marte pode aumentar voos em até quinze por cento, mas impõe restrições urbanas e pode afetar arrecadação e empregos na cidade

Pista do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, cercado por prédios
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  • O Campo de Marte pode ganhar até quinze por cento de voos com a implantação do sistema IFR, partindo de 58,8 mil pousos e decolagens em 2024, o que equivaleria a cerca de 12 voos adicionais por dia.
  • Em cenário conservador, o aumento ficaria em torno de seis voos diários; a magnitude depende da demanda real.
  • As novas regras criam áreas de proteção aeronáutica que restringem alturas de edificações, afetando regiões com maior potencial construtivo, incluindo mudanças no Centro Administrativo do Estado.
  • Estimativas apontam perdas significativas para a cidade, com cerca de 4 bilhões de reais em outorga, 2,4 bilhões de reais em ITBI e 790 milhões de reais por ano em IPTU, além de perda de empregos em torno de 720 mil.
  • A viabilidade econômica dependerá de equilíbrio entre ampliar a eficiência do aeroporto e manter respostas urbanas, ambientais, econômicas e sociais da cidade.

O Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, opera hoje sob regras de voo visual (VFR). A mudança para o sistema de aproximação por instrumentos (IFR) pode ampliar o número de voos, segundo estimativas de consultores aeronáuticos. Em 2024, o aeroporto registrou 58,8 mil pousos e decolagens, conforme a concessionária.

Em cenário otimista, a transição para IFR poderia aumentar o volume de voos em até 15%. Considerando que cada pouso e cada decolagem correspondem a um voo, o ganho seria de cerca de 12 operações a mais por dia. Em cenário conservador, o incremento ficaria em torno de seis voos diários.

A discussão envolve não apenas a capacidade operacional, mas também impactos urbanos. A cidade de São Paulo pode enfrentar restrições de altura em novas construções devido às novas superfícies de proteção aeronáutica criadas pelo IFR. Isso atinge áreas com maior potencial construtivo no Plano Diretor, bem como projetos centrais como o Centro Administrativo do Estado.

Impactos para o urbanismo e finanças municipais

Para entender a magnitude, a concessionária teve receita consolidada de ~R$ 110 milhões em 2024, considerando Campo de Marte e Jacarepaguá. Se toda essa receita viesse apenas do Campo de Marte e o IFR gerasse 15% de voos adicionais, a estimativa conservadora aponta incremento de cerca de R$ 15 milhões por ano.

Segundo estudo do Secovi-SP e Abrainc, o atraso na análise de processos por causa do IFR pode acrescentar ~R$ 2,5 bilhões por ano em custos financeiros. Além disso, haveria redução na arrecadação municipal de outorga onerosa, ITBI, IPTU e na geração de empregos, com construtibilidade menor.

A área afetada pelas restrições de superfícies de aproximação atende a cerca de 5,8 milhões de m² de Lotes nas Zonas Eixo de Estruturação Urbana (ZEU). As estimativas indicam perdas de aproximadamente R$ 4 bilhões em outorga, R$ 2,4 bilhões em ITBI e cerca de R$ 790 milhões anuais em IPTU, além de cerca de 720 mil empregos potencialmente afetados.

No conjunto, as projeções indicam que, apenas com receitas anuais, o prejuízo para São Paulo seria consideravelmente maior que o benefício financeiro esperado pela concessionária com IFR. O desafio contemporâneo é equilibrar eficiência de um aeroporto dedicado à aviação executiva com a manutenção do potencial de desenvolvimento urbano da cidade.

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