- Mobilidade elétrica avança no Brasil, mas enfrenta custo elevado, coordenação institucional e necessidade de políticas públicas estruturantes para ampliar a eletrificação de modais pesados como ônibus e caminhões.
- Ônibus elétrico ainda é mais caro que diesel, limitando demanda e ampliando barreiras para fabricantes expandirem a produção; escala é fundamental para reduzir preços.
- Estratégias internacionais, como vouchers na Califórnia, compra agregada pela China e exemplos na América Latina, são citadas como referências para estimular demanda e reduzir custos.
- No Brasil, já foram emplacados mais de 300 ônibus elétricos em maio, com 90% da produção local; há concentração regional no Sudeste, especialmente em São Paulo.
- Necessário ampliar rede de recarga e revisar contratos, modelos de remuneração e indicadores de qualidade, além de fortalecer coordenação entre setor público e privado, com foco também na mobilidade pública.
O Brasil acelera a adoção de mobilidade elétrica, mas enfrenta custos elevados e a necessidade de coordenação entre órgãos públicos. No Energy Summit, no Rio de Janeiro, a diretora executiva do ITDP-Brasil aponta que políticas públicas estruturantes são essenciais para reduzir emissões e ampliar o acesso. A proposta inclui instrumentos regulatórios aliados a incentivos econômicos.
Clarisse Cunha Linke ressalta que, embora haja avanço nos veículos leves, a transição de modais pesados, como ônibus e caminhões, ainda encontra entraves regulatórios e financeiros. O transporte responde por cerca de metade das emissões de energia no país, o que torna a descarbonização prioritária.
Ônibus elétricos: custo e demanda
A especialista afirma que ônibus elétrico chega a custar até três vezes mais que modelos a diesel, o que restringe compras em escala e freia a produção. Sem escala, diz, não há incentivo suficiente para reduzir preços. Experiências internacionais, como a Califórnia, são citadas como referência de políticas de demanda.
Ela também defende a criação de instrumentos de compra agregada, para que municípios ganhem poder de negociação ao consolidar demanda. Ao citar a China, aponta que aquisições centralizadas reduzem custos em etwa 30% com grandes volumes.
Perspectivas e ações públicas
Mais de 300 ônibus elétricos foram emplacados em maio, alta de 450% frente a 2025, com 90% da produção nacional. Ainda assim, há concentração regional, com 86% das entregas no Sudeste, especialmente em São Paulo, que lidera políticas de redução de emissões.
Outro ponto é ampliar o foco para além do transporte individual. A gerente assinala que a eletrificação dos ônibus, associada a melhorias de serviço, pode reduzir emissões e elevar a qualidade de vida. O objetivo é que um ônibus elétrico substitua dezenas de carros.
Financiamento e infraestrutura
Para sustentar o crescimento, são citados modelos de financiamento e novos arranjos de negócio. Cidades como Bogotá e Santiago já testam separar operação de transporte de investimento em energia e infraestrutura. O BNDES estima cerca de 100 bilhões de reais para corredores de ônibus em 21 regiões metropolitanas.
Linke ressaltou que a infraestrutura de recarga deve virar política pública, combinando investimento público e privado. A ideia é replicar modelos de sucesso na China, com pontos de recarga em larga escala e contratos reformulados para remunerar o desempenho das operadoras.
Desafios de implementação
A coordenação institucional é apontada como o principal gargalo. Será necessário alinhar políticas públicas, inovação tecnológica e foco em inclusão. A integração de sistemas de bilhetagem também é citada como aspecto a melhorar, em especial em regiões que já enfrentam carência de serviços.
O debate, ainda em curso, envolve revisões contratuais, novos indicadores de qualidade e melhorias na remuneração das operadoras, conectando remuneração ao desempenho do serviço. A ideia é transformar a mobilidade elétrica em política perene.
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