- 52% dos pesquisados fazem ao menos três viagens anuais e 34% gastam, no mínimo, R$ 10 mil por ano com lazer.
- No Brasil, 62 milhões de pessoas têm mais de 50 anos (28,5% da população); esse grupo movimenta R$ 1,8 trilhão por ano, com projeção de chegar a R$ 3,8 trilhões em 2044.
- Agências investem em pacotes e roteiros personalizados, com foco no slow travel, conforto, segurança e experiências como aprender idiomas e visitar vinícolas.
- Abav aponta que pacotes padronizados ficaram no passado; cresce a procura por pacotes completos com aéreo, transfer, passeios e seguro-saúde, e 74% dizem que viagens não são pensadas para sua faixa etária.
- Iniciativas públicas, como o programa Voa Brasil, visam reduzir custos: até dois bilhetes por ano para aposentados, com passagens de até R$ 200 por trecho.
Agências de viagem no Brasil passaram a investir em pacotes e roteiros personalizados para pessoas com mais de 50 anos. O movimento, impulsionado pelo maior tempo disponível após a aposentadoria, foca em conforto, segurança e uso da baixa temporada. Dados de pesquisa divulgados em 2026 ajudam a embasar o cenário.
Segundo o estudo turismo 60+: o Brasil que viaja depois dos 60, realizado entre março e abril de 2026, 52% dos entrevistados disseram viajar pelo menos três vezes ao ano, e 34% afirmaram gastar no mínimo R$ 10 mil anuais com lazer. A pesquisa foi apoiada pelo Ministério do Turismo e idealizada pelo Fórum de Turismo Expo 60+.
O país soma 62 milhões de pessoas com mais de 50 anos, o que corresponde a 28,5% da população, informou o IBGE. O segmento movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão por ano em consumo, com projeção de chegar a R$ 3,8 trilhões em 2044, segundo estudo do data8.
Mercado em expansão e demandas por personalização
Dimas Moura, 68, ex-profissional de marketing e fundador de uma agência voltada ao público 50+, observa que os roteiros mudaram: nem tudo se repete para idosos. A infraestrutura tem avançado com quartos térreos, banheiros adaptados e pisos antiderrapantes, mas os roteiros ainda precisam de ajustes para evitar padronização.
Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav, afirma que pacotes padronizados ficaram para trás. Hoje a tendência é combinar aéreo, transfer, passeios e seguro-saúde, com foco no bem-estar e na vivência do destino. O público tem equilíbrio financeiro e busca desfrutar o momento após anos de trabalho.
A adoção do slow travel ganha espaço entre as ofertas, com planejamento de horários de voos e deslocamentos, inclusive com seguro de saúde que cobre doenças preexistentes. A Abav ressalta que o atendimento humanizado continua sendo requisito importante para esse segmento.
Ana Carolina Kuwabara, da Expo Fórum de Turismo 60+, reforça que o mercado está em expansão e busca especialização. Para ela, a geração 50+ tem mais qualidade de vida, saúde e disposição, o que demanda roteiros detalhados e apoio contínuo de agentes.
Marcas que atuam nesse nicho costumam oferecer material impresso com detalhes do roteiro e um suporte que garanta acompanhamento próximo durante a viagem. Entre as preferências estão destinos históricos, experiências gastronômicas e intercâmbios que permitam aprender idiomas no exterior.
Exemplos de experiências e políticas públicas
Entre os relatos de clientes, há preferência por pacotes com planejamento minuto a minuto, porém com espaço para momentos de descanso. Em pesquisas, 74% dos entrevistados relataram que as viagens ainda não são inteiramente pensadas para a faixa etária. A percepção aponta para melhoria na comunicação e no atendimento.
Casos de identificação de voos, traslados e seguros com cobertura para a idade mostram a importância de um suporte contínuo. A evolução do setor é impulsionada também por iniciativas públicas, como o programa Voa Brasil, que oferece passagens com desconto para aposentados do INSS que não viajaram recentemente.
Entre os exemplos de viajantes, destacam-se histórias de pessoas que retomaram viagens após a aposentadoria, com planejamento e economia como pilares. A ampliação de roteiros e serviços especializados pretende tornar as viagens mais acessíveis para quem tem mais de 50 anos.
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