- A operação policial envolveu bloqueio de R$ 54 bilhões e buscas em executivos de Itaú, Santander e Bradesco, além de alvos como Sergio Rial, Carlos Alberto Sicupira e ex-integrantes do conselho, ligados à fraude bilionária da Americanas.
- A investigação interna da Americanas já apontava conversas potencialmente comprometedoras entre executivos de bancos emissores de dívidas da empresa, com possível influência de delação premiada de Fabio Abrade.
- A defesa de Carlos Alberto Sicupira aponta indícios de conhecimento das operações de risco sacado, após defesa do ex-CEO Miguel Gutierrez em processo da Comissão de Valores Mobiliários; a defesa nega irregularidades dele.
- Em abril do ano passado, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Miguel Gutierrez, Anna Saicali e mais onze ex-executivos por organização criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado, mas bancos, acionistas e auditorias foram poupados na ocasião.
- Perguntas em aberto: que tipo de provas buscam com buscas ocorridas mais de três anos após a revelação, por que o bloqueio foi tão expressivo e como os bancos deveriam ter atuado para evitar o enga‑no, especialmente diante do risco avaliado pelo Sistema Central de Riscos do Banco Central.
A operação policial que reacende o caso Americanas mira encontrar provas para responsabilizar novos atores, principalmente bancos, na fraude bilionária envolvendo a companhia. Foram bloqueados 54 bilhões de reais e houve buscas em endereços de executivos de instituições financeiras.
Entre os alvos, dois do Itaú (Gustavo Balassiano, hoje na XP, e José Rudge), dois do Santander (Alexandre Abdo e André Almeida) e um do Bradesco (Carlos Henrique Villela). Também estavam na lista Sergio Rial, ex-presidente da Americanas, e Carlos Alberto Sicupira, acionista de referência, além de ex-integrantes do conselho Paulo Lemann e Eduardo Saggioro.
Segundo fontes, a investigação interna da Americanas já apontava conversas potencialmente comprometedoras envolvendo executivos de bancos que emitiram dívidas da empresa. A delação premiada de Fabio Abrate teria revelado esses diálogos e interlocutores, segundo informações.
No caso de Sicupira, a defesa do ex-CEO Miguel Gutierrez, conforme divulgado, aponta indícios de que ele poderia ter conhecimento de operações de risco. A defesa de Sicupira nega participação em irregularidades.
A denúncia, apresentada pelo Ministério Público em abril do ano passado, atingiu Gutierrez, Anna Saicali e mais onze ex-executivos. Bancos, acionistas, conselheiros e auditorias teriam sido poupados na época, sob a alegação de terem sido enganados pela gestão da empresa.
Três anos após a divulgação da fraude, permanecem dúvidas sobre o papel de bancos e investidores. As autoridades questionam se houve falha na apuração de riscos e em que medida isso caracteriza crime, considerando o contexto de uma das maiores emissões de dívida do país.
A questão envolve o SCR, sistema do Banco Central que permite avaliar o grau de exposição de uma empresa. Parte das operações não entrava no SCR e acabava registrando-se no balanço anual, o que gerou divergências que deveriam ter acionado alertas.
Analistas destacam que fazer as perguntas certas pode ter alto custo para os envolvidos, especialmente se concorrentes também não questionarem. A investigação atual, ainda sem conclusão, busca esclarecer responsabilidades de bancos, acionistas e empresas de auditoria.
O valor agregado pelo bloqueio de 54 bilhões de reais impressiona pela magnitude, ainda mais após um aporte de 12 bilhões de reais feito pelos acionistas de referência para acerto com credores. A PF não informou detalhes adicionais sobre andamento das diligências.
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