- Entre janeiro e maio, turistas estrangeiros deixaram trilhões de dólares no Brasil, com destaque para compras e refeições, totalizando cerca de R$ 21 bilhões no período.
- britânicos respondem por 33,7% do gasto em restaurantes, sendo os que mais valorizam a gastronomia brasileira; também aparecem com 3,4% em bares.
- alemães apresentam gasto mais equilibrado entre restaurantes (27,7%) e varejo alimentar (18,8%), similar aos norte‑americanos; estes lideram o varejo alimentar (20%).
- argentinos destinam quase 37% do gasto ao varejo e compras, e 22,6% à hospedagem, puxados pela crise cambial e a tentativa de aproveitar compras no Brasil.
- chilenos investem 29,3% em restaurantes e 18,5% em hospedagem, destacando 7,3% do orçamento em experiências ao vivo.
- O Brasil passou a depender menos de hospedagem para gerar receita turística, com o dinheiro circulando por cadeias mais longas e pulverizadas, influenciando o crescimento anual de gastos em cerca de 10%.
- Três fatores ajudam a manter esse ritmo: câmbio favorável para quem vem de fora, efeito marketing da Copa do Mundo e uso de IA para indicar destinos além dos tradicionais, gerando “destinos gêmeos”.
O turismo estrangeiro movimentou o Brasil com intensidade nos primeiros cinco meses do ano, totalizando cerca de R$ 21 bilhões. O levantamento do Mastercard Economics Institute aponta como esse gasto se distribui entre restaurantes, varejo e hospedagem, variando conforme o país de origem.
Entre os britânicos, mais de um terço do gasto é destinado a restaurantes, com 33,7%. Eles aparecem com a maior participação em bares, em 3,4%. O padrão destaca a valorização da experiência gastronômica pela audiência europeia.
Já os alemães apresentam gastos mais equilibrados, com 27,7% em restaurantes e 18,8% em varejo alimentar. O perfil de consumo alemão se assemelha ao americano, que lidera o varejo alimentar com 20%.
Os americanos também investem educação de consumo em restaurantes (27,5%) e destacam-se no transporte terrestre (6,8%). O relatório atribui parte desse peso a estadias mais longas, com aluguel de carro e compras para cozinha em residências de temporada.
Entre os argentinos, quase 37% do gasto fica no varejo e em compras, e 22,6% na hospedagem. Em meio à crise cambial, a ida ao Brasil envolve comprar roupas, eletrônicos e perfumes.
Os chilenos dividem o orçamento entre restaurantes (29,3%) e hospedagem (18,5%), com 7,3% destinados a experiências e entretenimento ao vivo, a maior fatia entre todos os grupos.
Por que o fluxo de estrangeiros se sustenta
Três forças sustentam o crescimento médio de 10% ao ano dos gastos de turistas no Brasil. O câmbio favorece o país, ainda que a moeda local tenha valorizado no primeiro semestre, mantendo o Brasil barato para estrangeiros.
A Copa do Mundo cria efeito de divulgação, ainda que o evento ocorra principalmente nos EUA, Canadá e México. O Brasil aparece como palco paralelo, ampliando o interesse global pelo destino.
A inteligência artificial também influencia as escolhas de viagem. Ferramentas de IA levam viajantes a destinos menos tradicionais, como vinícolas, sítios históricos e resorts de bem-estar, abrindo espaço para o turismo receptivo.
Essa tendência consolida o Brasil como destino amparado pelo que acontece no país, e não apenas pela localização de hospedagem. A cadeia econômica envolve mais atores e cadeias de consumo, além de hotéis.
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