- Acionistas da Nissan pediram publicamente a volta de Carlos Ghosn durante a última assembleia, episódio marcado pela frustração com o desempenho da empresa.
- A proposta de reintroduzir Ghosn foi rejeitada pela maioria dos acionistas, apesar da repercussão do nome do ex-chairman.
- Ghosn, em entrevista à Reuters, disse tratar o pedido como um sinal de que investidores estão irritados e sugeriu que apenas ele poderia reverter o atual momento da empresa.
- A Nissan teve queda de vendas globais, de cerca de 5,5 milhões para 3,15 milhões de veículos, e passou por mudanças de gestão e planos de reestruturação para recuperar lucratividade.
- O novo chief executive officer, Ivan Espinosa, assumiu com o desafio de acelerar a eletrificação, expandir parcerias (incluindo com Uber e Wayve) e reduzir custos num mercado competitivo.
Seis anos após a fuga de Carlos Ghosn do Japão, acionistas da Nissan voltaram a tocar no nome do ex-CEO durante a última assembleia da empresa, levantando a possibilidade de sua volta. O momento ocorreu quando executivos buscavam acalmar investidores com o plano de recuperação em curso. A menção ao retorno de Ghosn provocou reação de frustração entre parte dos presentes, ainda que a sugestão tenha sido rejeitada pela maioria.
Ghosn vive no Líbano desde o fim de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de má conduta financeira que ele nega. Em entrevista rápida à Reuters, ele disse compreender a raiva dos acionistas e defendeu que apenas um líder firme possa reverter a queda da Nissan, sugerindo-se para o cargo.
A Nissan viveu uma crise após a prisão de Ghosn, em 2018, quando a empresa já enfrentava desafios estruturais. Hoje, as vendas globais caíram de cerca de 5,5 milhões para 3,15 milhões de veículos por ano, e o valor de mercado sofreu retração. A companhia passou por mudanças de gestão e planos de reestruturação para reduzir custos e elevar lucratividade.
A queda de desempenho ocorre mesmo diante de esforços para eletrificação acelerada e parcerias estratégicas. O objetivo é manter participação de mercado frente a concorrentes chineses e adaptar a produção a novos padrões de consumo e regulamentos.
Novo desafio para a liderança
O atual CEO, Ivan Espinosa, assumiu em meio a um cenário complexo. O executivo precisa avançar na eletrificação, consolidar parcerias com empresas de robótica e reduzir custos, sem perder fatia de mercado. A direção tenta reconstruir a confiança de investidores após anos de resultados abaixo do esperado.
A assembleia também evidenciou o descontentamento com a trajetória recente da Nissan. Investidores, em voz alta, criticaram o desempenho financeiro e questionaram a eficiência dos planos de recuperação implementados pela gestão anterior.
Tradicionalmente eventos de assembleia no Japão são moderados, mas a ocasião desta semana trouxe manifestações claras de insatisfação. A repercussão indica que o desafio da empresa não se resume a uma figura histórica, mas ao desempenho atual e às estratégias para o futuro.
A reportagem de referência que embasa a matéria foi publicada originalmente pela Forbes, destacando o impacto contínuo das lembranças de Ghosn sobre a percepção dos investidores.
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