- Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, quase o dobro do mesmo período de 2025.
- O plano de recuperação, apoiado por um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União, não conseguiu evitar a deterioração financeira.
- O governo avalia novas injeções de recursos e já autorizou, em etapa anterior, crédito de até R$ 8 bilhões com garantia da União para seguir a reestruturação.
- O Programa de Demissão Voluntária teve adesão de 3.181 funcionários no primeiro ciclo, abaixo da meta de 10 mil; há estudo de novo PDV para cerca de 5 mil empregados.
- Despesas administrativas subiram, o resultado financeiro manteve-se negativo, e especialistas questionam a capacidade do plano de resolver problemas estruturais e a competitividade frente privados.
O governo avalia ampliar o aporte aos Correios diante do rombo financeiro da estatal, que começou o ano sob o guarda-chuva de um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. Mesmo com medidas de reestruturação, a empresa registrou prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, quase o dobro de igual período de 2025.
As ações de ajuste incluíram PDVs, fechamento de unidades e venda de ativos, mas não impediram o agravamento das perdas. Se o ritmo persistir, o prejuízo de 2026 pode superar o recorde de R$ 8,5 bilhões de 2025.
Em meio a esse cenário, o governo estuda ampliar recursos para sustentar a recuperação. A opção envolve endividamento com garantia da União, que já foi autorizada em operação de até R$ 8 bilhões.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que, embora o plano de recuperação tenha estabilizado parcialmente a operação, não resolve problemas estruturais que afetam a competitividade frente privados da logística e do e-commerce.
Crise se acentuou nos últimos anos. Em 2021 houve lucro de R$ 3,7 bilhões; desde 2022, resultados negativos em sequência. Em 2025, registrado rombo recorde de R$ 8,5 bilhões, com trocas no comando, conflitos com sindicatos, e venda de ativos.
O PDV inicial, lançado entre fevereiro e março, teve adesão de 3.181 funcionários, muito abaixo da meta de 10 mil. A economia prevista com o programa girava em torno de R$ 1,4 bilhão, estimando redução de despesas de curto prazo.
Diante da adesão menor, a estatal pensa em novo PDV para cerca de 5 mil empregados, com ganho estimado de até R$ 685,4 milhões até 2027. A medida envolve o fechamento de cerca de mil pontos de atendimento.
Apesar de lucro bruto de R$ 153,4 milhões no 1º trimestre, despesas administrativas subiram de R$ 1,22 bilhão para R$ 2,27 bilhões, influenciadas por reajustes e provisões. Resultado financeiro ficou negativo em R$ 636,9 milhões.
Para o jurista e professor de MBA da FGV, Paulo Fernandes de Oliveira, a segunda etapa do plano é questionável diante da adesão fraca ao PDV e da continuidade de prejuízos. Ele aponta que o empréstimo de R$ 12 bilhões deve manter liquidez, mas não reduzirá problemas estruturais.
O especialista destaca a necessidade de reforçar a competitividade no segmento de encomendas e logística, com investimentos em tecnologia, automação e redes de distribuição. O setor privado, como Mercado Livre e Amazon, ampliou capacidades, elevando a pressão sobre os Correios.
No aspecto fiscal, o risco aumenta: a União pode ser acionada para honrar o crédito caso os Correios não consigam pagar. Técnicos do TCU apontam fragilidades no plano de recuperação e alertam para o custo fiscal de novos aportes.
Segundo o analista Murilo Viana, a situação reforça o peso dos Correios entre as contas das empresas federais e a necessidade de capitalização direta para evitar contágio fiscal. Ele ressalta que endividamento adicional não resolve o problema de longo prazo.
Em resposta, a direção dos Correios afirmou à Gazeta do Povo que o 1º trimestre ficou dentro das premissas do plano. A empresa atribuiu parte do prejuízo a despesas com passivos judiciais que somaram R$ 1,4 bilhão, equivalente a 44% do resultado negativo.
Ainda segundo a nota, o PDV de 2024-2025 gerou economia prevista de quase R$ 943 milhões em 2026, e o ciclo de 2026 deve reduzir despesas em R$ 685,4 milhões até 2027. A estatal afirma seguir implementando medidas para modernizar a malha logística e fortalecer a saúde financeira.
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