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Empresas tradicionais enfrentam armadilhas da transformação na era da IA

Transformação digital exige alinhamento entre tecnologia, pessoas e cultura; copiar modelos de nativas digitais falha e afeta a experiência do cliente

Não existe transformação que funcione se tecnologia e pessoas não caminharem juntas — Foto: NongAsimo/Stock via Getty Images
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  • Transformação digital não é apenas tecnologia: é preciso que tecnologia e pessoas caminhem juntas, senão a mudança fica desalinhada e a experiência do cliente pode sofrer.
  • Empresas tradicionais costumam tratar a transformação como projeto tecnológico; copiar o que as nativas digitais faz normalmente não funciona.
  • A Teoria Sociotécnica de Eric Trist aponta que é preciso equilibrar, de forma intencional, as demandas técnicas e sociais, pois tecnologia e organização se influenciam mutuamente.
  • A estratégia deve ser redesenhada primeiro, já que ela impacta todos os sistemas e, no fim, a experiência do cliente; o sistema social precisa antecipar impactos.
  • Perguntas-chave para líderes: como reagirão os funcionários, há risco de não adoção, é necessário reskilling/upskilling, que critérios de contratação usar e quais impactos na cultura; o objetivo é alinhar tecnologia, pessoas e estrutura para entregar a jornada ideal ao cliente, conforme destaca Rafael Barsi, gerente de Pesquisa e Inovação do Bradesco.

Empresas tradicionais enfrentam armadilhas comuns na transformação digital, especialmente em tempos de IA. O erro frequente é tratar a mudança como um projeto com data para começar e terminar, centrado apenas em ferramentas e tecnologias. A prática mostra que sem alinhamento entre tecnologia e pessoas o processo perde o ritmo.

A conclusão principal de estudos recentes é clara: tecnologia por si só não transforma. A cultura, as estruturas organizacionais e o modo como as equipes trabalham precisam acompanhar a evolução tecnológica. Caso contrário, clientes percebem experiências fragmentadas e inconsistentes.

Além disso, a distinção entre organizações tradicionais e novas digitais persiste. Nas primeiras, áreas de TI e negócios costumam carecer de integração. Nas digitais, o desafio é manter talentos técnicos em um mercado competitivo, o que aumenta a pressão por reskilling.

Um erro comum dos gestores é copiar estratégias de empresas nativas digitais sem adaptar ao contexto próprio. Adotar tecnologias sem considerar impactos organizacionais gera desalinhamento de decisões, incentivos e gestão de pessoas.

Teoria sociotécnica

Como aponta a Teoria Sociotécnica de Eric Trist, apenas mudar a tecnologia não basta. O desafio é otimizar de forma conjunta o social e o técnico. Tecnologia influencia a organização e, por sua vez, a organização limita ou potencializa a tecnologia.

Essa relação precisa ser desenhada de forma intencional, com equilíbrio entre demandas sociais e técnicas para alcançar resultados efetivos. A transformação não é apenas adoção de recursos, mas reconfiguração de todo o ecossistema organizacional.

Estratégia primeiro

A estratégia deve ser redesenhada antes de qualquer implementação. Ela impacta sistemas e a experiência do cliente, enquanto o sistema social precisa antever impactos de nova direção. Perguntas-chave ajudam a nortear o processo: reação dos funcionários, motivação, adoção da tecnologia, necessidade de reskilling, critérios de contratação e impactos culturais.

Cada organização possui um caminho próprio. Repetir escolhas alheias raramente funciona. O problema comum nas grandes corporações é perguntar apenas onde incluir IA, quando a pergunta mais relevante é como alinhar tecnologia, pessoas e estrutura para entregar a jornada ideal ao cliente.

Quando a transformação é guiada por intenções claras e uma visão integrada, ela deixa de ser um projeto pontual e passa a uma nova forma de operar. Essa é a essência do caminho mais robusto para resultados sustentáveis.

  • Rafael Barsi é gerente de Pesquisa & Inovação do Bradesco.

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