- O Copom indicou piora do balanço de riscos para a inflação, mas reduziu a Selic pela segunda vez e sinalizou pausa para observar impactos dos choques recentes.
- A visão de uma nova queda dos juros ganhou força com a possibilidade de flertar com um desancoramento das expectativas, segundo Adauto Lima, da Western Asset (Franklin Templeton).
- O cenário contempla pausa na política monetária neste ciclo, com projeção de manter a Selic em 14,25% até a próxima reunião.
- O Relatório de Inflação elevou a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,6% para 2,0%, e o consumo das famílias passou de 1,7% para 2,8%, indicando demanda mais robusta.
- O economista aponta que o principal risco para cortes adicionais é o gasto público elevado, com a eleição mantendo incertezas e pressão maior sobre o câmbio.
O Banco Central indicou que o cenário para a inflação piorou, mas decidiu reduzir a Selic mais uma vez. A visão é de que o Copom está próximo de manter a taxa em 14,25% na próxima reunião, sinalizando pausa para avaliar choques de energia e da atividade econômica.
Segundo Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, braço da Franklin Templeton no Brasil, o comunicado não elevou juros e aponta para um balanço de riscos que pode levar a uma pausa. Ele afirma que a leitura atual sugere cautela, não desancoramento de expectativas.
O Copom passou a ser visto como menos inclinad o a cortar intensamente, mesmo diante de piora das condições para a inflação. A instituição elevou a projeção de crescimento do PIB neste ano, de 1,6% para 2,0%, e destacou maior demanda por consumo.
A elevação das projeções de atividade vem acompanhada de revisão de indicadores, com hiato do produto mais aberto e consumo das famílias passando de 1,7% para 2,8%. A leitura reforça que a atividade está mais forte, o que respalda cautela na condução da política monetária.
Para Lima, a comunicação do Copom ficou confusa e pode afetar a credibilidade do BC. Mesmo assim, ele sustenta que não há política monetária expansionista nem mudança de rumo, mas que o peso fiscal pode limitar quedas adicionais de juros.
Ele aponta que o principal gatilho para cortes mais profundos é a dinâmica fiscal. Se não houver ajuste no próximo ano, o espaço para reduzir juros fica restrito e pode haver novo voo de galinha na curva de juros, com quedas seguidas de alta.
O economista compara a atual situação ao “sap o na panela de água quente”: a inflação está sob controle e a população não cobra mudanças significativas, o que pode manter incertezas até as eleições. A volatilidade cambial tende a aumentar nesse período.
A expectativa é de maior pressão de alta no câmbio por conta do cenário eleitoral. Embora o real não esteja fortemente valorizado, o dólar pode ganhar fôlego diante de fatores externos e incertezas domésticas.
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