- O iFood pediu ao Cade, em 26 de junho, que aprofunde a análise sobre a estrutura de custos e a política de preços das plataformas de delivery.
- O pedido ocorre no âmbito do acompanhamento de mercado aberto desde novembro de 2025, que envolve cinco praças: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Santos e São Vicente.
- O Departamento de Estudos Econômicos aponta risco de subsídios agressivos de rivais como Keeta (marca da Meituan) e 99Food (DiDi) para ganhar escala, por meio de blitzscaling.
- O relatório internacional citado mostra táticas como cupons, frete grátis, comissões reduzidas e bônus a entregadores, com autoridades olhando com mais rigor esse tipo de estratégia.
- O iFood sustenta que a guerra de promoções pode configurar preço predatório e solicita dados detalhados sobre custos e preços, concentrando-se em Keeta e 99Food.
O iFood pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que aprofunde a análise sobre a precificação das plataformas de delivery de comida. O pedido foi protocolado em 26 de junho, com base na nota técnica do Departamento de Estudos Econômicos (DEE) do Cade. A iniciativa integra o acompanhamento de mercado iniciado em novembro de 2025.
A investigação focaliza cinco praças: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Santos e São Vicente. A dinâmica envolve entrada e expansão de plataformas como Keeta, da Meituan, e 99Food, da DiDi, além de atuação de players já consolidados, como iFood e Rappi. O objetivo é entender estrutura de custos, política de preços e subsídios usados para ganho de escala.
O DEE divulgou, em 2 de junho, uma nota que não aponta infrações, mas serve como diagnóstico e benchmarking internacional. O documento ressalta preocupações sobre como subsídios podem acelerar ganhos de escala e pressionar a concorrência antes de a autoridade reagir, especialmente em mercados digitais.
Contexto internacional e foco do debate
O levantamento cita experiências em China, Índia, África do Sul, Arábia Saudita, Emirados, Kuwait e Qatar. Autoridades passaram a observar blitzscaling, cupons, frete grátis, comissões reduzidas ou zeradas e bônus a entregadores como instrumentos de competição. Essas práticas ganham relevância para o Cade no Brasil.
Na prática, o iFood sustenta que o diagnóstico reforça preocupações sobre práticas predatórias e solicita que o Cade solicite dados detalhados sobre custos e preços das plataformas. O pedido é endereçado a todos os players, com alvo principal nas estratégias de Keeta e 99Food.
Potenciais impactos e desdobramentos
O documento técnico aponta que a expansão agressiva, apoiada por empresas com disponibilidade financeira elevada, pode alterar a estrutura competitiva. O Cade avalia se a guerra de subsídios pode, no curto prazo, beneficiar consumidores e entregadores, mas, no médio prazo, reduzir a competição ao comprar participação de mercado.
O debate envolve ainda como esses subsídios são financiados e até que ponto promoções intensas deixam de ser competição saudável. A discussão continua a monitorar se houve ou não violações e quais medidas regulatórias podem ser consideradas no acompanhamento aberto do setor.
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