- BlackRock reduziu a recomendação para ações de mercados emergentes, mas manteve visão positiva sobre a América Latina, incluindo o Brasil.
- A gestora passou a recomendar posição neutra para EMs, citando realizações de lucro no primeiro semestre, sem indicar deterioração das perspectivas.
- O Brasil é visto como um dos países mais bem posicionados para atrair investimentos vinculados a inteligência artificial, transição energética e cadeias de produção.
- A América Latina continua entre as preferidas da BlackRock, com perspectivas de crescer com infraestrutura, geração de energia, transmissão elétrica e mineração.
- O desafio para o Brasil fica na expansão de infraestrutura e na evolução da política econômica para sustentar juros mais baixos e impulsionar investimentos.
A BlackRock reduziu sua recomendação para ações de mercados emergentes, mas manteve posição favorável ao Brasil. A gestão de recursos anunciou em seu relatório semestral uma visão neutra para emergentes, citando realização de lucros como justificativa.
Mesmo com a mudança, a firma destaca o Brasil entre os países mais bem posicionados para atrair investimentos ligados à inteligência artificial, à transição energética e à reorganização das cadeias de produção globais.
IA e minerais críticos fortalecem posição brasileira
Para a BlackRock, o Brasil apresenta ativos relevantes em alimentação, energia e minerais estratégicos para novas tecnologias. A demanda por cobre, níquel, grafite e terras raras pode beneficiar o país frente à expansão de data centers de IA e de veículos elétricos.
Axel Christensen, estrategista-chefe para a América Latina, aponta ainda que a fragmentação geopolítica favorece países de porte médio que asseguram fornecimento de matérias-primas essenciais. O Brasil entra nesse conjunto pela disponibilidade de recursos naturais.
América Latina permanece entre as preferidas
Apesar da redução da exposição aos emergentes, a gestora mantém visão positiva para a América Latina, com oportunidades ligadas à infraestrutura necessária para IA, como geração de energia, transmissão e mineração. O recorte difere de restrições observadas em parte da Ásia.
A decisão ocorre em meio à maior seletividade de investidores internacionais. Dados do Institute of International Finance indicam saída de US$ 26,6 bilhões de emergentes em maio, com destaque para ações asiáticas, enquanto a América Latina apresentou fluxo mais resiliente.
Infraestrutura aparece como desafio
A BlackRock aponta que o crescimento depende de ampliar investimentos em infraestrutura no Brasil. Setores de energia, logística e transporte precisam de novos aportes para acompanhar a expansão da mineração e da transição energética. Juros estáveis também influenciarão o ritmo de investimentos.
O relato menciona ainda que o cenário político, incluindo as eleições, não altera sozinho a visão sobre o país. O desafio para o governo de 2027 é acelerar o crescimento e reduzir juros de forma sustentável, atraindo mais projetos de infraestrutura.
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