- Gargalos nos novos modelos de motores (Leap da CFM International e GTF da Pratt & Whitney) deixaram aeronaves paradas, com tempo de manutenção chegando a 300 dias, contra 120 normalmente.
- A Iata calcula prejuízo global de pelo menos US$ 11 bilhões no ano anterior, impulsionado pela necessidade de operar frotas mais antigas e pelos custos de manutenção.
- Em março de 2025, 648 aeronaves (aproximadamente 28% da frota mundial com esses motores) estavam paradas para manutenção.
- A projeção é de aumento expressivo nas visitas às oficinas, de 600–800 em 2025 para mais de 5 mil até 2040 para motores Leap, e de mil para mais de 2 mil para motores GTF.
- No Brasil, Latam, Azul e Gol somam 60 jatos parados (12% da frota), com números variando entre companhias; Azul tem 37 aviões parados entre 170.
O setor aéreo vive um entrave tecnológico relacionado aos novos motores usados na atual geração de jatos. A falta de maturidade de modelos como Leap e GTF tem levado a manutenções mais frequentes e a filas em oficinas, gerando atrasos e custos adicionais. A demora para reparar os motores pode chegar a 300 dias, versus 120 dias no padrão anterior.
Segundo a Iata, o problema causou perdas de, pelo menos, US$ 11 bilhões no ano passado. Companhias operam aeronaves mais antigas para reduzir custos, enquanto os jatos novos ficam parados, elevando o consumo de combustível e os gastos com manutenção. O cenário piorou com gargalos de suprimento e mão de obra qualificada.
Em março de 2025, 648 aeronaves estavam paradas para manutenção, o que corresponde a 28% da frota mundial equipada com os novos motores da Pratt & Whitney. O atraso afeta principalmente a linha A320neo e o 737 MAX, além de modelos como A-220 e E195-E2, segundo estudo encomendado pela Iata.
No Brasil, Latam, Azul e Gol somam 60 aviões parados, cerca de 12% da frota conjunta. Dados de cada operadora indicam variações: Latam tem 14 dos seus 174 jatos fora de operação; Gol, 10 de 146; Azul, 37 de 170. As companhias e a Abear não quiseram comentar o tema.
Motivos técnicos e impactos
Os modelos Leap, da CFM International, e GTF, da Pratt & Whitney, chegaram há uma década ao mercado e ainda passam por ajustes. A CFM enfrenta falhas prematuras típicas de amadurecimento da tecnologia, com redução de tempo entre manutenções prevista em até 30%. Melhorias devem ocorrer em até cinco anos.
Já a Pratt & Whitney enfrenta problemas de qualidade, com anomalias em discos de turbina de alta pressão e no compressor de alta pressão. A combinação de falhas, falta de peças e capacidade limitada de oficinas tem mantido aeronaves no solo por períodos prolongados.
A Iata recomenda flexibilizar a manutenção, incluindo acesso a manuais de oficina e licenciamento de fabricantes terceirizados para produção de peças, para reduzir gargalos sem comprometer a segurança. A entidade também projeta aumento da demanda por serviços de manutenção conforme as entregas de motores de novos modelos aumentem.
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