- O El Niño 2026 tem alta probabilidade de se formar (acima de 90%) e pode ser um dos maiores riscos econômicos da década para o Brasil.
- Agronegócio, energia, logística e indústria — setores que puxam a atividade econômica — são os mais sensíveis aos impactos do fenômeno.
- Estudos internacionais estimam perdas globais bilionárias em episódios anteriores; projeta-se que o evento iniciado em 2023 possa provocar perdas relevantes até 2029.
- No Brasil, o El Niño pode causar variações climáticas regionais que afetam safras, abastecimento hídrico, custos de produção e inflação, influenciando decisões de investimento.
- A principal resposta é a preparação: revisão de riscos, fortalecimento de caixa, seguros agrícolas, infraestrutura hídrica e estratégias de adaptação para manter competitividade.
O El Niño de 2026 ganha espaço no debate econômico do Brasil. Com probabilidade superior a 90% de formação, o fenômeno é visto como risco relevante para setores que movem a atividade no país, como agro, energia, logística e indústria.
O texto, assinado por Junior Rozante, CEO da RZ3, analisa por que governos e empresas precisarão se preparar para um cenário que pode influenciar produção, infraestrutura, inflação e crescimento. O foco é a gestão de riscos.
Segundo especialistas, o El Niño não é apenas climático. Seu impacto pode estender-se ao abastecimento de água, custos operacionais e decisões de investimento, dependendo de sua intensidade regional. O fenômeno costuma alterar cadeias produtivas.
O Brasil já registra histórico de impactos regionais variados. Sul com chuvas excessivas, Norte e Nordeste com estiagens, e Centro-Oeste com calor intenso. Esses padrões afetam produção e logística, elevando riscos para a economia.
O agronegócio, que responde por cerca de um quarto do PIB e US$ 160 bilhões em exportações, pode sentir quedas de produtividade e aumento de custos em soja, milho, trigo, café e cana. A inflação tende a reagir se a oferta ficar pressionada.
Dados apontam que períodos de El Niño costumam pressionar preços de alimentos. Estimativas indicam alta de até 15% em frutas, legumes e hortaliças, com impactos também em proteínas animais e derivados.
Pesos no sistema financeiro aparecem quando a inflação sobe. O Banco Central pode ter menos espaço para flexibilizar políticas, mantendo juros altos e afetando investimentos, crédito e consumo.
Infraestrutura e energia também vão ao centro do debate. Reservatórios baixos elevam a necessidade de termelétricas, com custos maiores e emissões maiores. Riscos logísticos aumentam por interrupções em rodovias e ferrovias.
Além disso, o efeito fiscal merece atenção. Atividade econômica menor em alguns setores exige mais investimentos emergenciais e ações de mitigação, pressionando as contas públicas.
Apesar dos riscos, o cenário também pode acelerar avanços. Inovação, infraestrutura hídrica, seguros agrícolas, energias renováveis e eficiência operacional tendem a ganhar impulso em períodos de instabilidade.
A principal questão, dizem analistas, é o grau de preparo. O clima não pode ser controlado, mas o planejamento pode reduzir impactos. Empresas com menos vulnerabilidade têm melhores condições de atravessar crises.
Portanto, a preparação é vista como diferencial competitivo. Revisar riscos, fortalecer caixa e ampliar proteções pode ampliar a resiliência diante de eventos climáticos extremos.
O debate permanece: o El Niño virá. A pergunta é se o país está pronto para enfrentá-lo.
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