- O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da RD Saúde de R$ 27 para R$ 20 para o fim de 2026, mantendo recomendação neutra.
- A mudança reflete a desaceleração das margens por caneta e o aumento do peso do mercado informal na venda de canetas emagrecedoras.
- O relatório aponta margem bruta por caneta de produtores similares em torno de 20%, abaixo de estimativas anteriores acima de 30%.
- O GLP-1 deve representar cerca de 12% da receita da RD Saúde em 2026, subindo para aproximadamente 19% em 2030, com a empresa mais exposta a consumidores de renda mais alta.
- O mercado total de canetas emagrecedoras no Brasil deve chegar a 15,6 bilhões de reais em 2026; as ações da RD Saúde subiram 1,6% hoje, e o valor de mercado é de cerca de 30 bilhões de reais.
O Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações da RD Saúde, controladora das redes Raia e Drogasil, de 27 para 20 reais. A justificativa é a combinação de margens mais baixas por caneta e o fortalecimento do mercado informal de canetas emagrecedoras. A mudança foi divulgada em relatório publicado na sexta-feira, 3 de julho.
Segundo o documento, a queda no preço-alvo reflete impactos já visibly presentes nos resultados dos últimos meses. As ações da empresa caíram cerca de 40% desde fevereiro na B3, com recuo acumulado de 27,5% no ano até julho.
O relatório aponta dois pilares para a avaliação. O primeiro é a estabilidade das vendas da caneta Mounjaro, com volume mensal estimado em 900 milhões de reais desde novembro de 2025. O segundo é a pressão de margens após o fim da patente de Ozempic e Wegovy, abrindo espaço para opções mais baratas de semaglutida no Brasil.
Mudanças de margens e cenários de mercado
O Itaú estima que o lucro bruto por caneta de produtos similares permaneça abaixo do esperado, em torno de 20%, frente previsões anteriores acima de 30%. O múltiplo P/L da RD Saúde está projetado entre 15 e 16 vezes para 2026, nível considerado piso histórico para a empresa.
Os analistas destacam que Ozempic e Wegovy geram entre 150 e 160 reais por caixa para a varejista, com tíquete médio mensal por loja de cerca de 900 reais e margem de 17% a 18%. Em contraste, versões mais baratas, como os similares, apresentam tíquete mensal de aproximadamente 300 reais, margem de 20% e cerca de 60 reais por caixa com a caneta.
A diferença de margens entre as opções levou o mercado a ficar atento ao potencial de volume, embora não haja certeza sobre o quanto a demanda pode crescer com preços mais baixos.
Cenário competitivo e impactos no setor
O relatório menciona que, no período, chegaram ao Brasil a Ozivy, da EMS, e a Poviztra, da Novo Nordisk, com semaglutida mais barata, vendida pela Eurofarma. A análise do Itaú sugere uma melhora gradual das margens à medida que a competição aumenta e o poder de negociação das farmácias cresce.
Especialistas destacam ainda que o mercado informal deve perder espaço com o tempo, com a fiscalização da Anvisa sobre clínicas de manipulação fortalecida. Estima-se que esse mercado possa recuar de 50% para 43% até 2030, beneficiando as redes varejistas.
Projeções e desempenho da RD Saúde
Entre as varejistas, a RD Saúde deve manter participação relevante no segmento, dadas maior exposição a consumidores com renda mais elevada. A projeção aponta que o GLP-1 represente cerca de 12% da receita em 2026, subindo para aproximadamente 19% em 2030.
Estimativas apontam que o mercado de canetas emagrecedoras no Brasil atinja 15,6 bilhões de reais em 2026, cerca de 50% acima do desempenho do ano anterior.
Por volta das 12h de sexta-feira, 3 de julho, as ações da RD Saúde operavam com alta de 1,6% na B3. O valor de mercado da RD Saúde é estimado em 30 bilhões de reais.
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