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Mercado brasileiro tem gatilho externo, segundo BofA, apesar da volatilidade

Gatilho externo domina: Fed e dólar definem fluxos; eleição eleva volatilidade no curto prazo, mas não determina a direção do mercado brasileiro, diz BofA

David Beker, chefe de economia no Brasil e estratégia para América Latina do Bank of America
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  • A eleição presidencial de 2026 deve aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros no segundo semestre, mas não é o principal determinante para o mercado local.
  • O principal gatilho externo, segundo o Bank of America, é a trajetória de juros nos Estados Unidos e o apetite global por ativos de risco.
  • O banco mantém visão de três altas de juros nos EUA neste ano, posição mais dura que o consenso, apesar de dados recentes mostrarem fracos.
  • Na bolsa brasileira, mais de metade do fluxo anual de cerca de R$ 60 bilhões já saiu, e não há um catalisador claro para reprecificação dos ativos, segundo o BofA.
  • O portfólio recomendado foca em ações líquidas, com peso em Itaú, BTG Pactual e B3; utilidades perdem espaço para shoppings, e apostar em small caps ou ações sensíveis a juros é considerado arriscado.

A eleição presidencial de 2026 deve elevar a volatilidade dos ativos brasileiros no segundo semestre, mas o principal gatilho para o mercado local é externo. Essa é a avaliação de David Beker, estrategista do Bank of America, que aponta a trajetória dos juros nos EUA como determinante para o fluxo de capitais no Brasil.

Beker afirma que o investidor estrangeiro já conhece o candidato Lula. Por isso, o clima político tende a impactar menos o fluxo externo do que movimentos macroeconômicos globais. A visão do BofA é de que a mudança fiscal em 2027 pode influenciar o humor do mercado, dependendo de sua magnitude.

A volatilidade local tende a ficar mais contida em relação a outros países da região que já passaram por eleições este ano, segundo o estrategista. Ele compara o Brasil a Peru e Colômbia, onde houve surpresa de rota entre candidatos e mercados, o que não ocorre no país.

Cenário externo: juros, dólar e apetite a risco

O BofA mantém uma projeção de altas de juros nos EUA acima do consenso. A instituição espera três altas ainda neste ano, sustentando seu cenário apesar de dados recentes demonstrarem fragilidade parcial. A pressão inflacionária e a atividade econômica robusta ajudam a sustentar a previsão.

Caso o Federal Reserve seja mais duro que o esperado, os mercados emergentes devem enfrentar dólar mais forte e menor apetite por ativos de risco, o que inclui ações fora dos EUA. Isso tende a impactar diretamente o cenário brasileiro.

Desempenho da bolsa e estratégias do BofA

Observando a B3, o BofA registra saída de parte do fluxo externo: de cerca de 60 bilhões de reais que entraram no começo do ano, já circularam 30 bilhões para fora. A depender de sinais externos, o recuo pode se intensificar.

Segundo Beker, a bolsa brasileira não conta com um catalisador claro para reprecificação de ativos. Embora exista espaço para valorização, não há convicção de ganhos robustos sem mudanças no fluxo de capitais.

A carteira recomendada pelo banco para a América Latina privilegia papéis líquidos, com peso no setor financeiro (Itaú, BTG Pactual e B3). Utilities perdem espaço para ações de varejo e shoppings, considerados mais baratos.

Perspectivas de curto prazo e orientações

A aposta é por fluxo externo dominante, com menor apelo por small caps ou ações sensíveis a juros. O investidor local permanece ativo em resgates de fundos, dificultando sustentação de altas domésticas.

O estrategista reforça que o desempenho das ações brasileiras depende principalmente do investidor estrangeiro, que tem reduzido a exposição no momento. A conclusão aponta para cautela diante da incerteza externa e de mudanças fiscais remotas.

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