- O ministro Márcio Elias Rosa afirma que a viagem de Flávio Bolsonaro a Washington busca evitar o tariffão dos EUA contra o Brasil.
- As investigações da seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos podem resultar em tarifas de pelo menos vinte e cinco por cento sobre produtos brasileiros, com decisão prevista até o dia quinze de julho.
- O governo tenta costurar um acordo para postergar ou evitar as tarifas, mas reconhece que é improvável um acordo amplo a tempo.
- Rosa critica a suposta mudança de posição de Flávio Bolsonaro, dizendo que falar na audiência pública pode parecer jogo político e incoerente.
- Medidas de mitigação incluem ampliar ações da Apex para diversificar mercados e usar o programa Brasil Soberano para apoiar exportadores afetados.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou à BBC News Brasil que a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington busca associar o clã Bolsonaro a uma tentativa de adiar ou evitar tarifas impostas pelos Estados Unidos. O objetivo, segundo ele, é evitar impactos eleitorais para Flávio caso o tarifaço ganhe aparência de real.
A visita ocorre em meio a investigações da seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que podem levar a tarifas de pelo menos 25% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro trabalha, ainda, com a possibilidade de postergar a entrada em vigor das novas medidas, conforme tratativas em andamento com autoridades americanas. Rosa descreveu a ida de Flávio como uma estratégia para buscar apoio político.
Além disso, o ministro comentou que o governo não descarta a hipótese de tarifas serem aplicadas, mesmo diante de avanços nas negociações. Em paralelo, o governo brasileiro já apresentou aos EUA um possível roteiro de negociações, sem detalhamento público, para casos em que Washington desista de impor tarifas.
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Mudanças de tema e perspectivas de negociação
Rosa disse que a negociação tende a ser complexa e que a chance de um acordo abrangente é improvável no estágio atual. Ele ressaltou que a avaliação dos EUA envolve fatores ideológicos atrelados ao governo brasileiro, o que dificulta acordos completos. Também mencionou que não houve participação direta do governo brasileiro nas audiências públicas, que são voltadas a empresários e interessados, mas que houve participação bilateral com o Ministério das Relações Exteriores.
O ministro citou que o Brasil trabalha com várias hipóteses, incluindo a possibilidade de impor tarifas, manter o status quo ou adiar a decisão final. Ele afirmou que o país está preparado para ajustes caso as tarifas avancem e que existem medidas para mitigar impactos sobre exportadores.
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Medidas de suporte a exportadores
Em resposta a eventuais tarifas, o governo tem propostas para apoiar setores atingidos. A Apex-Brasil tem atuado para diversificar mercados, com 200 empresas auxiliadas na expansão para além dos EUA, entre elas 78 já migrando para novos destinos. O programa Brasil Soberano também foi citado como iniciativa de apoio a setores impactados, com espaço fiscal para graduações de apoio.
Rosa apontou que, caso haja tarifação, o impacto econômico direto sobre a indústria pode ser contido a nível geral, mas pode significar demissões e prejuízos para empresas que dependem de um único comprador nos EUA. O ministro indicou que o Brasil busca equilibrar a manutenção de empregos com a diversificação de mercados.
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Cenário futuro e participação presidencial
O ministro mencionou que o presidente Lula já atuou em negociações diplomáticas em situações semelhantes, inclusive visando contatos com o governo americano. Contudo, destacou que não há garantia de intervenção direta de alto nível até o dia 15, data limite para decisão dos EUA sobre as tarifas. As negociações envolvem ainda o contorno de questões técnicas, como o Pix, e o tratamento de minerais críticos, com oferta de acordos semelhantes aos firmados com Alemanha e Espanha.
A entrevista também tratou de críticas à condução das negociações e à postura de atores políticos ligados ao clã Bolsonaro. Rosa argumentou que tais críticas não têm como objetivo resolver a disputa comercial, ressaltando a necessidade de manter o foco em negociações comerciais, distintas de estratégias eleitorais.
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