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Juros altos são gargalo da economia, afirma Durigan

Juros altos são gargalo da economia, pressionando a dívida pública a 81,1% do PIB; Durigan defende ajuste fiscal para harmonizar com a política monetária

“De fato, a taxa de juros, ela prejudica o investimento privado e ela prejudica a dívida pública”, diz Dario Durigan
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  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirma que os juros altos são o gargalo da economia brasileira, prejudicando o investimento privado e pressionando a dívida pública.
  • Ele disse que o Ministério é o “menos culpado” pela taxa de juros e que é preciso harmonizar a estratégia de receitas e despesas com a política monetária.
  • O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mantendo tom cauteloso diante da inflação e do cenário externo.
  • Durigan defendeu ajustes fiscais futuros, como contenção de gastos e revisão de benefícios fiscais, para melhorar a disciplina fiscal e a relação com a política monetária.
  • A dívida bruta do Governo Geral atingiu 81,1% do PIB em maio, o maior nível em cinco anos, equivalente a cerca de R$ 10,6 trilhões.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirma que os juros altos funcionam como gargalo para a economia brasileira, prejudicando o investimento privado e pressionando a dívida pública. Em entrevista ao g1, publicada neste sábado, Durigan destacou que o ministério é o menos culpado pela existência da taxa.

Durigan reforçou a necessidade de harmonizar a estratégia de receitas e despesas com a política monetária. Ele descartou a ideia de que medidas de aumento de gasto e estímulo à economia estejam por trás de valores elevados de juros, destacando que a discussão fiscal influencia a taxa, mas não a resolve.

O ministro também enfatizou que não busca apontar culpados, dizendo que o Ministério da Fazenda tem participação menor na definição da taxa de juros. Afirmou ainda que é preciso analisar as causas do patamar atual da Selic, reconhecendo que o debate fiscal importa, mas não é a solução simples.

Contexto fiscal e monetário

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, em 17 de junho. Desde março, a taxa acumula queda de 0,75 ponto, com postura cautelosa frente à inflação e ao cenário externo.

Durigan respondeu sobre linhas de crédito com taxas favorecidas em ano eleitoral, afirmando que não impedem uma redução mais agressiva dos juros pelo BC. Segundo ele, o mercado de crédito brasileiro movimenta cerca de 600 bilhões de reais por mês, com impactos restritos sobre a política monetária.

Segundo dados do Tesouro Nacional divulgados em 30 de junho, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 81,1% do PIB em maio, o maior patamar em cinco anos. Em termos nominais, o montante chega a aproximadamente 10,6 trilhões de reais. O valor está 0,3 ponto percentual abaixo do pico de 81,4% registrado em 2020.

Perspectiva de ajuste fiscal

Durigan sinalizou que ajustes nas contas públicas podem ocorrer nos próximos anos, por meio de contenção de gastos e revisão de benefícios fiscais. O ministro ressaltou que o Brasil precisa continuar com um esforço fiscal relevante para conter o crescimento da dívida relacionado à Fazenda.

Ele afirmou que o governo pretende manter a sustentabilidade do arcabouço fiscal, sustentando a trajetória de receita e despesa. Também destacou a preocupação com a inflação e a importância de medidas para melhorar a situação fiscal sem comprometer o funcionamento do aparato público.

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