- O mercado farmacêutico brasileiro cresce cerca de 11% nos últimos 12 meses, acima do PIB, segundo o gerente-geral da Teva Brasil, Roberto Rocha.
- O desempenho é impulsionado pela demanda resiliente, pelos medicamentos para emagrecimento, pelos genéricos e pelo lançamento de novos tratamentos.
- O setor privado passa a crescer acima do público, puxado principalmente pelas canetas para emagrecimento.
- A Teva Brasil pretende ampliar a oferta de medicamentos no país, especialmente nas áreas de sistema nervoso central, oncologia e saúde mental, com uso de inteligência artificial no desenvolvimento de fármacos e na melhoria de processos.
- Sobre judicialização, a Teva afirma não acreditar que resolva os problemas do sistema, apontando atrasos na disponibilidade de itens já aprovados e destacando a necessidade de avanços no acesso a tecnologias.
O mercado farmacêutico brasileiro registrou expansão de cerca de 11% nos últimos 12 meses, acima do PIB, segundo Roberto Rocha, gerente-geral da Teva Brasil. O desempenho reflete demanda resiliente, avanços em medicamentos para emagrecimento, alta de genéricos e chegada de novos tratamentos.
Rocha destaca que o setor praticamente não sente o impacto de crises. O cenário tem sido puxado pela demanda privada, que vem crescendo mais rápido que a demanda do setor público, impulsionada especialmente pelas canetas para emagrecimento.
À frente da Teva Brasil desde 2021, Rocha aponta o Brasil como mercado estratégico para expansão e prevê ampliar a oferta de medicamentos, com foco em sistema nervoso central, oncologia e saúde mental.
Tecnologia e IA
Segundo o executivo, a inteligência artificial já faz parte do desenvolvimento de medicamentos na Teva e tem sido usada para acelerar estudos clínicos, analisar novas moléculas e otimizar processos internos.
A entrevista também aborda questões de acesso a tratamentos. A Teva não vê a judicialização como solução para os problemas do sistema de saúde, atribuindo-a a falhas estruturais, e não incentiva esse tipo de medida.
Estudos indicam que a judicialização envolve medicamentos já incorporados ao SUS ou com parecer favorável, mas que ainda não estão disponíveis na ponta por barreiras de implementação. A empresa ressalta dificuldades para levar inovações ao paciente.
Há avanços nas discussões com o Ministério da Saúde sobre modelos de acesso gerenciado, compartilhamento de risco e o chamado preço silenciado, com descontos confidenciais para não afetar referências internacionais de preços.
Desenvolvimento e acesso a medicamentos
Rocha aponta que o parâmetro de avaliação do setor pode ser o número de medicamentos aprovados pela Anvisa, que tem acelerado análises e reduzido prazos, embora persista uma fila de pedidos. O objetivo é que novas tecnologias cheguem mais rapidamente ao mercado brasileiro.
Se a média de aprovações nos últimos três anos subir até 2030, isso indicaria maior acesso a tratamentos inovadores e maior disponibilidade de tecnologias para doenças complexas. O gestor reforça a importância de reduzir entraves para chegar aos pacientes.
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