- Operadores de mercados emergentes passaram a financiar posições em moedas de maior rendimento usando ativamente opções além do dólar, como euro, dólar canadense e dólar australiano, diante do dólar mais forte.
- Gestoras como Invesco e AllianceBernstein afirmam depender menos do dólar para financiamentos e diversificam a composição entre regiões; o Citigroup prevê valorização do real frente ao euro e ao dólar australiano.
- O Morgan Stanley orientou clientes a se manterem otimistas com moedas de países em desenvolvimento em relação a uma cesta que inclui dólar, euro e iene.
- As carry trades, que consistem em tomar empréstimos em moedas de juros baixos para investir em moedas de juros mais altos, tiveram retorno expressivo, com a carteira de real, peso colombiano e lira turca rendendo 26% desde abril de 2025.
- O cenário segue com cautela: mesmo com o interesse na estratégia, investidores monitoram riscos do dólar como moeda de financiamento e avaliam impactos de políticas do Federal Reserve e volatilidade de mercados.
O dólar mais forte está levando operadores de mercados emergentes a diversificar o financiamento de carry trade. Em vez de depender apenas da moeda norte‑americana, gestores recorrem a moedas como o euro, o dólar canadense e o iene, entre outras, para sustentar posições em países em desenvolvimento.
Entre os agentes que ajustaram as fontes de funding estão equipes da Invesco e da AllianceBernstein, que sinalizam menor dependência do dólar em estratégias de alto carry. O Morgan Stanley recomendou otimismo com moedas de emergence em comparação com uma cesta mais ampla que inclui o euro e o iene, enquanto o Citigroup indicou a possibilidade de valorização do real em relação ao euro e ao dólar australiano.
A busca por diversificação ocorre em um contexto de dólar que se valoriza frente a algumas moedas de mercados emergentes, apesar de atrativos históricos de retorno. Um dólar mais fraco, no passado, trouxe fôlego aos emergentes; agora, a recuperação recente tem pressionado diversas operações.
Segundo a leitura de executivos, o ajuste visa reduzir riscos de volatilidade. O foco não está apenas no prêmio de juros, mas na gestão de cenários com custos de financiamento que podem variar conforme o ritmo de aperto do Federal Reserve.
Operações de carry trade, que combinam empréstimos em moedas com juros baixos para investir em ativos de maior rendimento, acompanharam movimentos recentes dos mercados. Em uma cesta com real brasileiro, peso colombiano e lira turca, o desempenho acumulado atingiu 26% desde o anúncio de tarifas globais dos EUA em abril de 2025.
Países com altas taxas reais, como Colômbia e Brasil, registraram valorização de suas moedas frente ao dólar neste ano, mas o aumento de custos de financiamento pode reduzir ganhos caso o Fed eleve taxas com mais contundência.
Mercados e bancos observam riscos adicionais. Uma pesquisa do HSBC com instituições que administram ativos de aproximadamente 432 bilhões de dólares aponta que o dólar passou a ser visto como principal proteção, reduzindo a penetração de outras moedas como financiamento. Em paralelo, gestores como Cathy Hepworth, da PGIM Fixed Income, mantêm posição comprada no dólar em parte de suas carteiras, ao mesmo tempo em que exploram moedas de maior rendimento.
Especialistas ressaltam que a volatilidade volta a ser tema relevante, especialmente após dados de empregos fracos nos EUA terem pressionado inicialmente o dólar. Contudo, políticas comerciais e geopolíticas internacionais podem atuar como freios para movimentos extremos da moeda.
Para alguns gestores, a diversificação do funding de carry trade pode se manter ao longo do verão, com atenção aos desdobramentos do Federal Reserve. Mesmo assim, não se espera uma conclusão rápida sobre a direção do dólar, cabendo ajustes conforme o ritmo de aperto monetário nos EUA.
Entre na conversa da comunidade