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Juros elevados há mais de um ano impactam Faria Lima e Leblon

Juros elevados há mais de um ano levam a demissões e encerramentos em casas da Faria Lima e Leblon, com reorganização de equipes e redução de receitas

Foto: Werther Santana/Estadão
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  • Juros altos permanecem no Brasil, com a taxa Selic acima de dez por cento desde fevereiro de 2022 (atualmente em 14,25%), o que torna a renda fixa mais atrativa e pressiona as receitas das gestoras.
  • Na Faria Lima, em São Paulo, e no Leblon, no Rio de Janeiro, casas de investimento reduziram quadros de funcionários, reestruturaram atividades e, em alguns casos, encerraram operações.
  • A TORK Capital anunciou o encerramento de atividades neste ano; outras gestoras que fecharam ou reduziram operações incluem Alphatree e BlueLine Asset Management (encerramento em dezembro de 2024).
  • A Empiricus reduziu equipes e mudou o modelo de cobrança dos relatórios para assinaturas agrupadas, além de integrar operações com o BTG Pactual desde 2021.
  • Dados da Anbima indicam saídas líquidas em fundos multimercados e de ações em 2025, com aportes continuando em renda fixa, refletindo o cenário de juros altos e incertezas macroeconômicas.

Casas de investimentos no eixo Faria Lima, em São Paulo, e Leblon, no Rio de Janeiro, reduziram quadros de funcionários, reorganizaram atividades e, em alguns casos, encerraram operações devido aos juros elevados quePersistem no Brasil. O cenário de juros altos torna aplicações de renda fixa mais atraentes para investidores, pressionando as receitas de gestoras que cobram taxas menores em produtos conservadores.

Essa prática de readequação ocorre em meio a um movimento maior no mercado. Fundos de ações e multimercados enfrentam captação menor, enquanto a renda fixa atrai mais recursos, reduzindo o espaço para equipes de análise complexa e gestão especializada. Entre as consequências, há fechamento de gestoras e mudanças estruturais para reduzir custos.

A TORK Capital, gestora especializada em ações, anunciou o encerramento das atividades neste ano. A empresa, fundada em 2018, gestionava cerca de R$ 750 milhões. Em 2023-2024, outras players também anunciaram ajustes ou encerramento de operações.

Antes disso, Alphatree, liderada por ex-operador do Morgan Stanley, fechou seu hedge fund brasileiro no ano passado. Em dezembro de 2024, a BlueLine Asset Management, de ex-executivos da JP Morgan, encerrou as operações após parecer favorável à readequação de estruturas. A comunicação oficial citou a conclusão de um estudo de cenário econômico.

No segmento de análise de ações, a Empiricus também passou por ajustes ao ampliar formatos de cobrança. A empresa passou a vender relatórios agrupados para reduzir custos e ampliar a monetização, em meio ao desafio de crescimento com a proliferação de conteúdos gratuitos de influenciadores. A Empiricus informou que o novo modelo de assinatura integra processos com o BTG Pactual, acordo que foi fechado em 2021.

A Selic está acima de 10% desde fevereiro de 2022, chegando a 14,25% neste momento. O Banco Central já sinalizou ciclos de cortes, mas espera-se alívio mais contido pela pressão inflacionária e pela alta do petróleo entre fevereiro e maio. Economistas avaliam que o juro alto tende a permanecer por mais tempo.

Segundo Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, o cenário desestimula investimentos em ações e fundos de maior risco. Em momentos de alta, fundos ativamente gestãoados enfrentam retiradas de recursos e reduções de equipes. Ela aponta que, no início da pandemia, com Selic próxima a 2%, havia demanda elevada por profissionais de análise, algo que mudou com a alta recente.

Pesquisas da Anbima indicam fluxo negativo para fundos multimercados e de ações, com saídas de recursos, enquanto fundos de renda fixa tiveram entradas. Em 2025, multimercados registraram saída líquida de cerca de R$ 44,6 bilhões e ações, R$ 49,7 bilhões; renda fixa captou R$ 76,1 bilhões, sinalizando mudança na distribuição de ativos e na estrutura de mercado.

A professora Claudia Yoshinaga, da FGV, ressalta que a principal fonte de renda das gestoras vem de taxas de administração e de performance, ligadas ao volume sob gestão. O giro de fundos e o patamar de ativos explicam a capacidade de cobrir custos de pessoal, especialmente em períodos de menor captação.

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O clima de incerteza também envolve o efeito de eleições sobre o cenário macroeconômico. Especialistas apontam que a direção da política monetária pode influenciar o ritmo de queda de juros nos próximos anos, impactando novamente o desempenho de fundos e gestoras.

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