- Investidores reduzem apetite por ações de petroleiras à medida que o Brent recua próximo de US$ 60 por barril, com foco em fundamentos de oferta e demanda após acordo entre EUA e Irã.
- As gestoras reavaliam carteiras: algumas zeraram exposição ao setor, enquanto outras mantêm postura cautelosa ou passam a alocar menos em petróleo e gás.
- A Reach Capital zerou a exposição ao petróleo no mercado acionário semanas antes do acordo preliminar, citando menor atratividade risco-retorno no cenário atual.
- Especialistas veem potencial de superávit de oferta no curto prazo e mencionam que a Opep+ passa por mudanças estruturais, o que pode manter o Brent entre US$ 60 e US$ 70.
- Em relação à Petrobras, há cautela entre as casas: ajustes de posição podem ocorrer caso o preço do petróleo volte a ficar mais baixo; há preferência por Prio entre algumas gestoras e avaliações de preço-alvo para Petrobras sob diferentes cenários de Brent.
A agenda do mercado de petróleo mudou após o avanço das negociações entre EUA e Irã, abrindo espaço para uma reavaliação de oferta e demanda. Investidores passaram a observar fundamentos, reduzindo o prêmio geopolítico embutido no preço do Brent e sinalizando maior cautela sobre ações de óleo e gás.
Gestoras reorganizam carteiras diante de cenários de menor risco geopolítico e possibilidade de retomada de produção iraniana. O Brent pode retornar a patamar próximo a US$ 60 o barril, o que tende a pressionar papéis de petróleo no Ibovespa, como Prio e Petrobras, com fatias de receita atreladas à commodity.
Cenário de ajuste de posições
A Reach Capital zerou exposição ao setor no mercado acionário semanas antes do acordo preliminar. A gestão de renda variável afirma que o ajuste visou capturar assimetrias entre oferta e demanda, mas tornou o risco-retorno menos atrativo.
Segundo Henrique Lara, da Reach, é possível surgir sobreoferta no curto prazo pela normalização de volumes parados. Mudanças estruturais na produção, com a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep+, também pesam na avaliação, assim como sinais de política externa. Lara aponta teto de US$ 80 para o Brent.
Alexandre Sant’Anna, da ARX Investimentos, também vê chance de retorno a superávit. Ele cita faixas de US$ 60 a US$ 70 como possíveis para o petróleo, ante cenários de demanda fraca frente a oferta maior.
Perspectivas de preço e impactos no mercado brasileiro
Sant’Anna comenta que a rápida recuperação de fluxos no Golfo Pérsico, após o acordo, sustenta a visão de menor prêmio geopolítico. O Goldman Sachs aponta que exportações da região voltaram a 63% do normal, com maior fluxo no Estreito de Ormuz.
O banco ressalta que a demanda global permanece mais fraca, com importações chinesas de petróleo abaixo de 1 ano. A instituição estima Brent perto de US$ 60 até o fim do ano, em cenário de oferta mais ágil e estoques elevados.
Repercussões para Petrobras e escolhas de investimento
Caso o Brent se consolide entre US$ 60 e US$ 70, as ações da Petrobras podem perder atrativo relativo. Sant’Anna mantém posição pequena na estatal, com possibilidade de ajuste conforme o movimento da cotação da commodity.
A Ativa Investimentos também adota postura mais neutra para Petrobras. Entre os fatores, o retorno total (incluindo dividendos) é relevante, mas não suficiente para sustentar posição comprada expressiva.
Conclusões operacionais para o setor
A Reach reduziu exposição a ações de maior beta, buscando defensivas, como utilidades. A gestora prefere manter posição menor em Petrobras e apostar em nomes menos dependentes de desfechos eleitorais, como Prio, caso haja retomada de investimentos em petróleo.
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