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A crescente influência econômica das pessoas idosas

O envelhecimento global impulsiona demanda por saúde, cuidados e tecnologia médica, tornando a longevidade tema central de investimento até 2050

Mujeres idosas sentadas en un banco en Greenwich village, en Nueva York, en 1984.
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  • A população mundial está envelhecendo rapidamente, e a tecnologia sanitária tem prolongado a expectativa de vida, tornando o envelhecimento tema de investimento sólido.
  • Até 2050, estima-se que haja 1,8 bilhão de pessoas com 65 anos ou mais, com ritmo de crescimento mais rápido entre 80 anos ou mais, impulsionando demanda por cuidados, serviços de saúde e produtos voltados a esse grupo.
  • Nos Estados Unidos, a população com 65 anos ou mais deve chegar a 72,5 milhões em 2030, crescendo 2,6% ao ano; os baby boomers possuem boa parte da riqueza, influenciando consumo e uso de serviços.
  • A pressão sobre pensões aumenta, e na OCDE a participação de maiores de 65 anos em relação à população ativa deve subir de 21% em 1994 para 52% em 2050, levando a reformas de idade de aposentadoria e pensões.
  • O envelhecimento reforça oportunidades de investimento em setores farmacêutico, tecnologia médica, infraestrutura de cuidados e saúde; na China, o XV Plano Quinquenal (2026–2030) prioriza longevidade, saúde, pensões e transformação digital, criando oportunidades de longo prazo.

O envelhecimento da população mundial está acelerando, impulsionado pela maior longevidade e queda da fertilidade. A tecnologia sanitária ajuda a prolongar a vida e transforma mercados de trabalho, consumo e investimento. A tendência, contínua, ganha impacto global.

Estima-se que, até 2050, haja 1,8 bilhão de pessoas com 65 anos ou mais. O grupo acima de 80 anos deve crescer de forma ainda mais rápida, elevando demanda por cuidados, serviços para idosos e produtos adaptados. Japão, Europa e América do Norte já enfrentam envelhecimento acelerado.

Nos Estados Unidos, a população com 65 anos ou mais deve chegar a 72,5 milhões em 2030, com alta de 2,6% ao ano. Os baby boomers detêm grande parte da riqueza familiar, influenciando consumo, saúde e mercados financeiros.

A OCDE aponta que, entre 1994 e 2024, a razão entre idosos 65+ e trabalhadores passou de 21% para 33%. A projeção para 2050 é de 52%. Com isso, cresce o gasto público relacionado à saúde e às pensões, levando governos a elevarem a idade de aposentadoria.

O principal fator de risco para doenças crônicas é a idade. Em 2023, quase 80% dos norte-americanos com 65 anos ou mais tinham pelo menos duas doenças crônicas, elevando a dependência de medicamentos e de serviços médicos. A demanda por residências e centros de cuidado também cresce após a covid-19.

O gasto com saúde aumenta com a idade: pessoas idosas gastam entre três e cinco vezes mais com assistência médica do que jovens. Mais de um terço dos gastos de saúde dos EUA é concentrado em maiores de 65 anos, refletindo o peso dessa faixa etária no sistema.

Essa dinâmica abre oportunidades de investimento em farmacêuticas, tecnologia médica, infraestrutura de cuidados e serviços de saúde. Avanços em genômica, IA diagnóstica, monitorização por wearables e robótica prometem ampliar eficiência e qualidade do atendimento.

Na China, um dos processos de envelhecimento mais rápidos do mundo já está em curso. Em 2024, a esperança de vida ficou perto de 79 anos e 220 milhões tinham 65 ou mais, cerca de 25% da população de adultos nesse grupo. O país enfrenta maior dependência de idosos até 2050.

O XV Plano Quinquenal (2026-2030) de China foca longevidade, cuidado a idosos, reforma sanitária e sustentabilidade das pensões. O objetivo é ampliar cobertura de seguros, melhorar acesso em áreas rurais e reduzir o custo de medicamentos.

A estratégia também busca fortalecer seguridade social, seguros de saúde privados, gestão de doenças crônicas e telemedicina. A transformação digital do sistema de saúde e a melhoria da eficiência econômica acompanham as reformas regulatórias.

Embora políticas de pagamento por valor tenham ampliado acesso, também pressionam a rentabilidade de farmacêuticas e tecnologia médica. Surgem ajustes regulatórios para equilibrar custos, qualidade e continuidade de suprimentos.

Segundo autoridades chinesas, o país já conta com uma das maiores redes de infraestrutura para idosos, com centenas de milhares de centros e milhões de leitos até 2024. O aumento da longevidade eleva a demanda por fundos de pensão, seguradoras e produtos de investimento ligados à idade.

O envelhecimento está redesenhando padrões de consumo global. Adultos acima de 65 anos representam boa parte dos gastos de saúde e acumulam parcela significativa de riqueza, o que molda estratégias de mercado e de investimentos.

Para investidores, a longevidade deixou de ser mera tendência demográfica. É um eixo estruturante que afeta balanços, modelos de negócio e carteiras, com pressão sobre serviços públicos e maior participação de idosos no consumo e na poupança.

Fonte: Alexandra Ralli, analista de ações na Lombard Odier.

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