- A Tomioka Winery fica em Tomioka, Fukushima, a cinco quilômetros de Fukushima Daiichi, e busca criar cultura do vinho na região marcada pelo desastre de 2011.
- O projeto começou antes do acidente, mas ganhou impulso após a catástrofe, com a ideia de ligar mar, montanha e rio por meio do vinho.
- Enfrentaram ceticismo local: muitos duvidavam da viabilidade de vinhedos perto do mar e de vinhos provenientes de área associada a contaminação.
- A primeira colheita ocorreu em dois mil dezenove, resultando em cinquenta e sete garrafas. Hoje a winery emprega doze pessoas, em uma área de sessenta mil metros quadrados com dezesseis mil vinhedos, e ainda depende de uvas de outras regiões para abastecimento.
- Planos para os próximos anos incluem ampliar a produção para trinta mil a quarenta mil garrafas, com variedades como Chardonnay, Merlot, Sauvignon Blanc e Koshu; o fundador, Shubun Endo, lidera a iniciativa com uma abordagem de recuperação da região.
Tomioka Winery, situada a apenas cinco quilômetros da usina nuclear de Fukushima Daiichi, tenta firmar uma cultura de vinhos na cidade de Tomioka, abalada pelo terremoto de 2011 e pela subsequente evacuação. A aposta é transformar a região em polo vitivinícola ao longo de uma ou duas gerações, mesmo com o passado recente ainda presente.
O fundador e presidente da vinícola, Shubun Endo, planeja um vinho que una mar e montanha, clima e culinária local. O projeto nasceu antes de 2011, ganhou impulso com a tragédia e hoje encara resistência de moradores que duvidavam da viabilidade de vinhedos tão próximos ao mar.
Desafios enfrentados
Endo reuniu equipe, incluindo Junichiro Hosokawa, sommelier e enólogo que mudou-se para Tomioka em 2022. A dupla enfrentou ceticismo de moradores e administrativas, com perguntas sobre solo, radiação e consumo local de vinho.
A área ficou marcada pela evacuação e pelas cicatrizes da tsunami. A construção do vinhedo passou por um processo de reconstituição do solo, com terra de origem semelhante ao original vindo do rio Natsui e da serra Abukuma, a cerca de 45 minutos de distância.
Em abril de 2016, ainda sob ordens de evacuação, foram plantadas as primeiras cepas em Tomioka. A equipe enfrentou doenças e pragas nos anos iniciais, com resultados modestos.
Primeiro colheito e expansão
Em 2019, ocorreu a primeira colheita bem-sucedida: 57 garrafas produzidas por Endo, Hosokawa e voluntários. A experiência consolidou a missão de recuperação por meio do vinho, segundo os envolvidos.
Atualmente a vinícola emprega 12 pessoas e ocupa cerca de 60 mil m² com 16 mil vinhedos, números que guardam relação com a população pré-2011 de Tomioka. A produção total ainda depende de uvas de outras prefecturas para atingir 10 mil garrafas por ano.
A projeção para os próximos anos é ampliar para 30 a 40 mil garrafas anuais, incluindo Chardonnay, Merlot, Sauvignon Blanc e Koshu, com infraestrutura capaz de sustentar esse volume.
Estrutura e cultura
Endo mantém um estilo de vinificação inspirado em sons durante a fermentação, usando Debussy como trilha constante na adega. O empreendedor cita um adesivo de uma fábrica de molho de soja e a ideia de agradecer em várias línguas, como forma de reconhecer inspirações globais.
Segurança, retorno e futuro
A recuperação regional incluiu remoção de solo contaminado, demolição e limpeza extensa. A maior parte das ordens de evacuação já foi suspensa, mas apenas parte da população de Tomioka retornou.
Hosokawa afirma ter ficado tranquilo com monitoramento de radiação após verificar os indicadores locais. Endo reconhece que a cidade enfrenta ainda um imaginário negativo, mas aponta que reconstrução envolve infraestrutura e reativação de interesse pela região.
Endo vê Tomioka como um espaço onde as pessoas possam refletir sobre o que importa e imaginar o desenvolvimento da região em décadas futuras, mantendo o vinho como elo entre comunidade, terra e cultura.
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