- O impeachment da vice-presidente Sara Duterte começou, com potencial afastamento e inelegibilidade caso seja condenada por uso indevido de recursos públicos e ameaça ao presidente Ferdinand Marcos Jr.
- A condenação poderia impedir Duterte de concorrer à presidência em 2028, num Senado dividido entre aliados de Marcos e de Duterte.
- O processo inaugura uma nova fase na disputa entre Marcos e Duterte, cujas alianças políticas costumam mudar com rapidez.
- Pro-Duterte e pró-Marcos realizaram protestos; a segurança foi reforçada no entorno do Senado, onde aliados de Duterte enfrentam problemas legais recentemente.
- O Senado abriu um prazo máximo de 92 dias para o julgamento, sendo o primeiro impeachment de uma vice-presidente em exercício na história das Filipinas, e Duterte não participou da sessão.
O impeachment da vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte, começou nesta terça-feira, abrindo uma nova frente no embate entre a aliança de Duterte e o presidente Ferdinand Marcos Jr. Caso seja condenado, ela ficará afastada do cargo e ficará inelegível para ocupar qualquer função pública.
A acusação aponta uso indevido de recursos públicos e ameaças de assassinato contra Marcos Jr. A sessão ocorre no Senado, onde o plenário funciona como tribunal de impeachment, com 16 votos favoráveis à condenação necessários entre 24 senadores.
Sara Duterte é filha do ex-presidente Rodrigo Duterte e era favorita para suceder Marcos Jr. nas eleições de 2028. A defesa sustenta que os objetivos do julgamento visam removê-la do cargo, não apenas esclarecer as acusações.
O julgamento marca o primeiro impeachment de um vice-presidente em atuação nas Filipinas. O Senado tem até 92 dias para deliberar, período que já acirrou a tensão política no país.
Ao longo da apuração, dois senadores aliados a Duterte foram presos recentemente, e outro recorreu ao abrigo do Tribunal Penal Internacional, o que pode impactar votos. Ainda não está claro se eles poderão votar na sessão.
Além das alegações, a defesa de Duterte afirmou que o objetivo do processo é tirar a vice-presidente do cargo. Por outro lado, promotores destacaram o apoio de Duterte à sua base eleitoral, que somou cerca de 32 milhões de votos em 2022.
Profissionais de imprensa estão isolados em salas reservadas dentro do Senado para cobrir o caso, enquanto manifestantes pró-Duterte e pró-Marcos se mobilizaram do lado de fora. Autoridades mobilizaram milhares de policiais, muitos em gear de choque.
A Câmara tem sido palco de mudanças rápidas de liderança este ano, com quatro presidentes senadores até o momento, cada mudança definida por deserções de poucos membros. O ambiente político permanece volátil e de alto risco de desdobramentos.
O Ministério da Presidência informou que Marcos Jr. tem tarefas mais relevantes neste momento, mas pediu que Duterte compareça para esclarecer as acusações. Duterte, por sua vez, afirmou que sua ausência não diminui a responsabilização nem implica falta de transparência.
Contexto adicional aponta que a reta final do julgamento pode depender de alianças entre os partidos e de desfechos inesperados nas votações, reflexo de uma política dominada por dinastias e negociações amplas dentro do Senado.
Entre na conversa da comunidade