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FMI vê melhora na Argentina e apoia reforma do Banco Central

Kristalina Georgieva destacou queda da inflação e superávit fiscal, mas país ainda enfrenta consumo fraco e alta inadimplência

Uma ativista segura um cartaz com os dizeres "Fora, Fundo, Fora" durante um protesto contra a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva (Nicolas Suarez/AFP)

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, elogiou nesta segunda-feira (27) a condução econômica da Argentina durante visita a Buenos Aires. Segundo ela, o país está em uma situação “mais sadia” desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em 2023.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, elogiou nesta segunda-feira (27) a condução econômica da Argentina durante visita a Buenos Aires. Segundo ela, o país está em uma situação “mais sadia” desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em 2023.

Em coletiva de imprensa ao lado do ministro da Economia argentino, Luis Caputo, Georgieva destacou um “progresso significativo na estabilidade macroeconômica e financeira desde 2023”. A Argentina é o maior devedor do FMI.

Em 2025, o país assinou um Acordo de Facilidades Estendidas com o Fundo, no valor de US$ 20 bilhões, aproximadamente R$ 118 bilhões, a serem desembolsados ao longo de quatro anos.

A chefe do FMI citou a redução da inflação, o superávit fiscal e a melhora na classificação de crédito da Argentina. “Quando temos estabilidade macroeconômica e financeira, o desempenho geral da economia melhora”, afirmou.

Segundo Georgieva, os avanços já aparecem em setores como petróleo, gás, mineração e agricultura. Ela ressaltou, porém, que a Argentina ainda precisa criar empregos formais e ampliar o consumo.

Relação com o FMI

Caputo afirmou que “a relação com o Fundo Monetário é excelente, em todos os níveis”. Depois, disse a jornalistas que Georgieva teve uma “reunião muito boa” com Milei. “Ela foi muito efusiva em parabenizar o tempo todo”, afirmou o ministro. Segundo Caputo, a diretora do FMI também se reuniu com integrantes do gabinete argentino.

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Georgieva deve viajar nesta terça-feira (28) para Vaca Muerta, grande jazida de petróleo e gás de xisto na província de Neuquén, a cerca de 1.200 quilômetros ao sul de Buenos Aires. A área é considerada estratégica para a autonomia energética e para as exportações argentinas.

Economia de contrastes

A visita ocorre em meio a fortes contrastes na economia argentina, marcada por uma política de austeridade sob Milei.

A inflação anual caiu de três dígitos para 33,5% em junho, mas o ajuste envolveu amplos cortes nos gastos públicos. O crescimento segue fraco, de 0,2% em 12 meses, e o consumo interno permanece debilitado. Apesar disso, o FMI prevê crescimento de 3,5% para a Argentina em 2026 e de 4% em 2027.

Ao mesmo tempo, um relatório recente do Banco Central mostra que a inadimplência das famílias argentinas com os bancos triplicou em um ano, chegando a 12,8%, o maior nível em 20 anos.

Durante a visita, dezenas de manifestantes protestaram em frente ao Ministério da Economia para dar as “más-vindas” a Georgieva. “Fora ingleses das Malvinas, fora FMI da Argentina”, dizia um dos cartazes exibidos no ato.

Banco Central na mira

Em maio, o FMI autorizou o desembolso de uma parcela de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5 bilhões, dentro do acordo com Buenos Aires.

No começo de julho, o Fundo também elogiou a intenção do governo argentino de reformar o Banco Central.

Na véspera da visita de Georgieva, Milei detalhou seu projeto de reforma da instituição, alvo frequente de críticas do presidente. Em artigo no jornal Clarín, ele afirmou que a missão fundamental do Banco Central voltará a ser “preservar o valor da moeda”.

O governo argentino também quer impedir que o Banco Central financie o Estado e criar uma blindagem para dificultar a remoção de seus dirigentes.

Caputo disse que Milei apresentou os detalhes da reforma a Georgieva e que ela “saiu muito contente”.

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Dívida e reservas

Em 2027, as obrigações da dívida argentina chegam a US$ 24,9 bilhões, aproximadamente R$ 127 bilhões.

Neste mês, Caputo afirmou que o governo conta com recursos para cumprir os vencimentos, inclusive no “pior cenário”, embora admita que as eleições gerais de 2027 possam ampliar a incerteza e a volatilidade nos mercados.

Georgieva descartou que a Argentina tenha dificuldades para cumprir os compromissos assumidos com o FMI e afirmou que “não há necessidade de apoio financeiro adicional” ao país.

A diretora do Fundo também elogiou a política de reservas do Banco Central argentino. Atualmente, os volumes estão em torno de US$ 49 bilhões, cerca de R$ 250 bilhões. “Continuem comprando”, disse Georgieva, em referência à aquisição de moeda americana.

Depois da visita à Argentina, Georgieva viajará ao Uruguai, onde deve se reunir com o presidente Yamandú Orsi na quinta-feira (30), segundo o governo uruguaio.

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