- A Prefeitura do Rio de Janeiro destinou R$ 200 milhões em subsídios às empresas de transporte em 2022.
- A demanda por transporte público caiu 30% entre 2014 e 2023.
- A proposta de tarifa zero é defendida como uma solução, já adotada em mais de 145 municípios brasileiros.
- A administração carioca considera a implementação da tarifa gratuita inviável, priorizando o lucro privado.
- A falta de transparência e o controle por um cartel resultam em serviços de baixa qualidade e tarifas elevadas.
A discussão sobre a tarifa do transporte público no Rio de Janeiro ganha novos contornos. A Prefeitura destinou R$ 200 milhões em subsídios às empresas de transporte em 2022, enquanto a demanda caiu 30% entre 2014 e 2023. Essa realidade levanta a necessidade de um modelo de tarifa zero, já adotado em mais de 145 municípios brasileiros, como Maricá e São Paulo.
A resistência do Rio em implementar a tarifa gratuita é vista como uma escolha política. Apesar de resultados positivos em cidades que adotaram o transporte gratuito, a administração carioca alega que a medida é inviável. A lógica atual prioriza o lucro privado, resultando em serviços de baixa qualidade e tarifas elevadas. O sistema de pagamento por quilômetro rodado, independentemente do número de passageiros, contribui para a precarização do transporte.
Desafios do Sistema Atual
A falta de transparência e fiscalização no setor de transporte público é alarmante. O controle é dominado por um cartel que se beneficia de superfaturamento e reajustes abusivos. A implementação do sistema de bilhetagem única, que prometia melhorias, resultou em filas e desinformação, dificultando ainda mais a vida dos usuários.
Um estudo da FGV revela que cidades que adotaram o passe livre experimentaram um crescimento de 7,5% no número de empresas e uma redução de 4,1% nas emissões de CO₂. No entanto, no Rio, a tarifa continua entre as mais altas do país, refletindo a exclusão social provocada pelos altos custos.
Caminhos para a Mobilidade Urbana
A proposta de tarifa zero não deve ser vista como um gasto, mas sim como um investimento no futuro da cidade. Para isso, é essencial mudar a lógica orçamentária e priorizar os interesses públicos. A implementação gradual de um sistema público gratuito é viável, desde que haja controle público e um enfrentamento ao cartel do transporte.
A mobilidade urbana deve ser ressignificada como um direito social, e não como uma mercadoria. O povo carioca já arca com altos custos em subsídios, enquanto as empresas lucram sem oferecer um serviço de qualidade. A urgência de um modelo de transporte mais justo e acessível é clara, e a tarifa zero pode ser o caminho para garantir um direito fundamental: o de ir e vir.
Entre na conversa da comunidade