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Educação deve ser direito e não privilégio de classe

Desigualdade na educação brasileira persiste, aponta especialista. Apenas 2,4% dos jovens dos 20% mais pobres têm aprendizagem adequada.

© Tânia Rîgo
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  • O Brasil enfrenta desafios persistentes na educação, com desigualdades marcantes entre diferentes grupos sociais. O diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana, André Lázaro, criticou a “naturalização das desigualdades” no país.
  • Lázaro destacou que apenas 2,4% dos jovens do 3º ano do ensino médio dos 20% mais pobres tiveram aprendizagem adequada em matemática e português em 2023, contra 16,3% dos mais ricos.
  • O especialista criticou a educação como uma herança de classe e defendeu que ela deve ser um direito de todos. Ele citou a questão racial e a condição em áreas rurais como pontos de atenção para a promoção da equidade na educação.
  • Lázaro destacou a importância de políticas afirmativas e a necessidade de melhorar o financiamento e o reconhecimento da diversidade na educação. Ele ressaltou que as cotas criaram condições favoráveis para que parte da população jovem negra, estudante de escola pública e pobre pudesse entrar na universidade pública.
  • O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 mostrou que apenas 4,5% dos jovens do 3º ano do ensino médio de escolas públicas tiveram aprendizagem adequada em matemática e em língua portuguesa, enquanto nas escolas particulares o índice chega a 28%.

Educação no Brasil

O Brasil enfrenta desafios persistentes na educação, com desigualdades marcantes entre diferentes grupos sociais. O diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana, André Lázaro, criticou a “naturalização das desigualdades” no país. Ele destacou que apenas 2,4% dos jovens do 3º ano do ensino médio dos 20% mais pobres tiveram aprendizagem adequada em matemática e português em 2023, contra 16,3% dos mais ricos.

Desigualdades Educacionais

Lázaro apontou que as diferenças na aprendizagem entre os mais ricos e os mais pobres são alarmantes. “As diferenças são muito grandes, chegam a 20 pontos percentuais em alguns lugares do país”, disse. Ele também destacou a importância de políticas afirmativas e a necessidade de melhorar o financiamento e o reconhecimento da diversidade na educação.

Questões Estruturais

O especialista criticou a educação como uma herança de classe e defendeu que ela deve ser um direito de todos. “A educação é ainda hoje uma herança de classe, mas ela tem que ser um direito de todos”, afirmou. Lázaro citou a questão racial e a condição em áreas rurais como pontos de atenção para a promoção da equidade na educação.

Políticas Afirmativas

Lázaro destacou o exemplo das políticas afirmativas implementadas no ensino superior. “As cotas criaram condições favoráveis para que parte da população jovem negra, estudante de escola pública e pobre pudesse entrar na universidade pública”, disse. Ele ressaltou que essas políticas melhoraram o debate público e trouxeram intelectuais importantes para o cenário nacional.

Desafios na Rede de Ensino

O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 mostrou que apenas 4,5% dos jovens do 3º ano do ensino médio de escolas públicas tiveram aprendizagem adequada em matemática e em língua portuguesa, enquanto nas escolas particulares o índice chega a 28%. Lázaro apontou que o problema de aprendizagem não está só na rede pública, mas em toda a rede de ensino nacional.

Conquistas e Carências

Embora haja conquistas, como as altas taxas de inclusão, Lázaro avaliou que é preciso questionar o que ainda falta na educação brasileira, como financiamento, reconhecimento da diversidade e valorização da carreira docente. “São questões muito articuladas que acabam gerando resultados precários e frustrando os nossos jovens diante do seu direito a uma educação capaz de ser o fator de transformação de que o país precisa”, disse.

Desprofissionalização da Carreira Docente

Lázaro ressaltou que o Brasil passa por um processo de desprofissionalização da carreira docente, o que tem impactos negativos no sistema de educação. “O anuário mostra que 49% dos docentes das redes estaduais têm contratos temporários”, disse. Ele questionou como se constrói uma unidade dentro da escola quando metade das pessoas é trocada a cada ano.

Diversidade e Igualdade

Para o especialista, a política educacional do país deve reconhecer a diversidade entre as regiões e torná-la um ativo para a vida escolar. “O Brasil está num dilema educacional que eu não acho pequeno, que é: em nome da igualdade, nós estamos gerando uma padronização”, disse. Ele defendeu que a igualdade deveria ser capaz de reconhecer a diversidade, em vez de impor uma padronização.

Conclusão

A educação no Brasil ainda enfrenta desafios significativos, com desigualdades marcantes entre diferentes grupos sociais. É preciso adotar políticas afirmativas, melhorar o financiamento e o reconhecimento da diversidade, e valorizar a carreira docente para superar as desigualdades e garantir o direito à educação para todos.

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